Incêndios

Secretário de Estado nega envolvimento no caso dos kits de autoproteção

Secretário de Estado nega envolvimento no caso dos kits de autoproteção

O secretário de Estado da Proteção Civil defendeu-se, este domingo, das acusações de ter orientado a compra dos 15 mil kits de autoproteção do programa "Aldeia Segura, Pessoas Seguras" à empresa Foxtrot Aventura.

O JN revela, na edição impressa deste domingo, que a Secretaria de Estado da Proteção Civil, liderada por José Artur Neves, acompanhou todo o processo da compra de kits compostos por materiais combustíveis, e a Autoridade Nacional de Proteção Civil só teve que autorizar o pagamento.

Confrontado pelos jornalistas, o responsável negou o envolvimento e remeteu para as conclusões do inquérito que vai arrancar. "É um assunto da responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção Civil. O inquérito dará nota seguramente do processo que teve também, seguramente, o desenvolvimento de acordo com as regras de contratação pública", disse hoje aos jornalistas, na fronteira de Vilar Formoso.

"Nem sei de quem são as empresas nem faço ideia nenhuma. As empresas foram selecionadas, foram convidadas, o processo foi desenvolvido pela Autoridade Nacional [de Proteção Civil], as conclusões virão do inquérito", concluiu.

O JN noticiou, na edição impressa de sexta-feira, que a Proteção Civil entregou 15 mil kits com golas antifumo, fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, não tendo a eficácia que deveriam ter - evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro. Foram quase duas mil povoações, ao abrigo do programa de autoproteção das populações, que receberam estes e outros equipamentos, como coletes refletores, compostos por materiais combustíveis.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) veio entretanto defender que os materiais distribuídos no âmbito dos programas não são de combate a incêndios nem de proteção individual, mas de sensibilização de boas-práticas.

Ministro abriu inquérito

Depois de desvalorizar o caso das golas inflamáveis distribuídas à população, o ministro da Administração Interna - que acusou a notícia sobre o caso de ser "alarmista" e "irresponsável" - acabou por anunciar a abertura de um "inquérito urgente" às golas antifumo inflamáveis que a Proteção Civil entregou às populações.

"Face às notícias publicadas sobre aspetos contratuais relativamente ao material de sensibilização, o Ministro da Administração Interna: pediu esclarecimentos à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil; determinou a abertura de um inquérito urgente à Inspeção-Geral da Administração Interna", lê-se numa nota do MAI enviada às redações.