Segurança

Secretas admitem regresso de mulheres e filhos de terroristas a Portugal

Secretas admitem regresso de mulheres e filhos de terroristas a Portugal

O Serviço de Informações de Segurança prevê que, durante este ano, regressem a Portugal cerca de 20 familiares de cidadãos que se radicalizaram e se juntaram ao autoproclamado Estado Islâmico nos últimos anos.

Apesar de não estar previsto o regresso "em massa" para a Europa dos cerca de 5300 radicais islâmicos que deixaram o Ocidente para se juntarem às fileiras do grupo extremista, o Serviço de Informações de Segurança (SIS) coloca a hipótese de regressarem a Portugal mais de 20 mulheres e filhos de cidadãos portugueses ou lusodescendentes que vivem nas terras ainda - apesar de cada vez menos - dominadas pela organização terrorista.

"Prevê-se para 2018 um aumento do regresso das mulheres e menores", entre os "quais mais de duas dezenas de descendentes de cidadãos nacionais", afirmou Adélio Neiva da Cruz, diretor do SIS, num seminário sobre vítimas de terrorismo organizado a 15 de março na sede das secretas, na Ameixoeira, cita o "Expresso".

Segundo o jornal, as mulheres e crianças em causa deverão ser recebidas sem qualquer tipo de hostilidade, podendo até pedir nacionalidade portuguesa, no caso das estrangeiras, uma vez em solo nacional. "São suscetíveis de inclusão", afirmou Neiva da Cruz, que defendeu que a luta contra o terrorismo "não pode ser baseada apenas em medidas securitárias e repressivas".

No entanto, "este regresso coloca um sério problema às forças e serviços de segurança, e ao aparelho de justiça, e levanta enormes questões sociais que urge enfrentar e resolver", sublinhou, lembrando que é preciso perceber até que ponto é que as companheiras dos terroristas estiveram envolvidas no processo de recrutamento ou financiamento do grupo.

O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2017, revelado em março, alerta para a possibilidade de regresso de "jovens sem antecedentes, mas já informados pela ideologia jiadista e expostos durante anos à violência da organização terrorista Estado Islâmico, considerando as suas práticas como normais, legítimas e adequadas".

De acordo com o "Expresso", o número de radicais islâmicos portugueses era próximo dos 20, mas foi reduzindo depois de mortes e desaparecimentos em combate.

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