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Segurança Social comprou dívida pública em montantes "exíguos"

Segurança Social comprou dívida pública em montantes "exíguos"

O secretário de Estado da Segurança Social esclarece que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social só comprou dívida pública portuguesa depois do pedido de ajuda externa e em montantes "exíguos", respondendo a críticas de Pedro Passos Coelho.

"Passos Coelho está mal informado. E depois está redondamente enganado. Primeiro porque não houve nenhuma compra de dívida pública portuguesa [pelo Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social - FEFSS] até ao momento do pedido de ajuda externa", garantiu à Agência Lusa o secretário de Estado Pedro Marques.

"O que existiu foi posteriormente, com aquisições de valor exíguo, da ordem dos 2%", acrescentou.

O secretário de Estado também contrapôs que o FEFSS tem - por obrigação regulamentar - mais de metade da sua carteira em dívida pública portuguesa. "Passos Coelho está outra vez mal informado porque, por critérios de gestão e por regulamentos do Fundo, este já tinha uma parte substancial, cerca de 60%, da sua carteira investida em dívida pública portuguesa", acrescentou.

O secretário de Estado considerou, por outro lado, que há propostas do PSD que representam um perigo maior para as pensões do que os investimentos do FEFSS em dívida portuguesa.

Passos acusou governo de "inconsciência"

O líder do PSD acusou, esta quinta-feira, o Governo de "inconsciência" por ter colocado em risco as disponibilidades financeiras da Segurança Social e os depósitos dos portugueses ao pedir para que bancos, instituições públicas e Segurança Social comprassem divida pública.

"O governo pediu aos bancos, às instituições públicas, até à Segurança Social que andasse a comprar dívida pública, colocando em risco os depósitos dos portugueses nos bancos e aquilo que são as disponibilidades financeiras da Segurança Social que devem servir para pagar as reformas e as pensões dos portugueses", acusou o líder do PSD, durante um almoço de campanha em Mirandela.

"O que põe em risco as pensões dos portugueses é a proposta do PSD de privatização parcial e placidamente da Segurança Social e das pensões. Isso sim, põe em causa a segurança social porque aumentaria a dívida pública ou diminuiria o financiamento da Segurança Social em mais de 9 mil milhões de euros nas próximas décadas", acusou Pedro Marques.

"Juros elevados ficam em Portugal"

Questionado sobre os contornos das operações de financiamento, Pedro Marques disse que o Fundo da Segurança Social se limitou a "aproveitar" as taxas de juro elevadas que estavam a ser cobradas pela dívida pública portuguesa.

"O que existiu foi uma questão de aproveitar - estabilizando o financiamento da dívida pública - as elevadas taxas de rendibilidade, e em investimentos de muito curto prazo, portanto não se pôs em causa a gestão estratégica do Fundo", disse.

Ou seja, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social portuguesa estava a beneficiar de taxas de juro altas que o próprio Estado português tem de pagar para que os investidores comprem dívida portuguesa. "Assim, esses juros elevados ficam em Portugal. No Fundo de Reserva da Segurança Social", sintetizou Pedro Marques.

"E são valores exíguos, portanto é tentar misturar as coisas quando se diz que operações de 2% da carteira a põem em risco", concluiu.