Nacional

Seis horas de debate com Costa em silêncio

Seis horas de debate com Costa em silêncio

O silêncio é de ouro. António Costa parece ter apostado nessa máxima, segunda-feira, durante as seis horas de debate do Programa do Governo da coligação PSD/CDS-PP, na Assembleia da República.

O líder do PS optou por se resguardar para hoje e atirar à bancada social-democrata e centrista a sua primeira linha política parlamentar. Passos, por seu lado, insistiu na vitória eleitoral. Questionou a legitimidade de uma solução à Esquerda e acenou com a queda na Bolsa e o aumento dos juros como o preço que o país já está a pagar pelo que antevê como risco de "degradação orçamental".

Nem quando esteve debaixo do fogo da Direita ou quando Passos Coelho ameaçou que não irá facilitar a vida a um Governo do PS , o secretário-geral socialista acedeu a revelar o acordo que estabeleceu com o BE, PCP e PEV e que até agora ninguém conhece.

Essa foi a principal arma de arremesso da Direita: Costa, Catarina, Jerónimo e Heloísa apresentam-se sem revelarem ao que vêm, à exceção da garantia da apresentação de moções de censura ao programa do Governo, que serão hoje votadas. Concertadas, as bancadas social-democrata e centrista guiaram-se pelo mesmo diapasão, para acusarem o PS de falta de legitimidade política ao criar uma alternativa governativa à coligação.

Passos - que a meio de debate aludiu a essas mesmas consequências, visíveis na Bolsa de Lisboa - reafirmou um "espírito de abertura e diálogo". Para o primeiro-ministro, "nenhum Programa do Governo, digno desse nome, pode assentar a sua pedra angular na necessidade de impor escolhas que ameacem a recuperação que o país está a fazer, ao remeter para o falso plano ideológico o que só deve ser equacionado dentro das condições realistas que enfrentamos".

"Riam, que depois vão chorar"

Perante a falta de respostas da Esquerda, o presidente do PSD voltou a avisar que não rumará à Oposição para servir de suporte ao Governo do PS nas medidas que Bloco, PCP e Verdes se recusem a assinar por baixo.

"Assumo a responsabilidade de não colaborar e de me opor a uma política negativa, de ruína de Portugal, em que os portugueses são vistos como meros instrumentos de jogadas políticas de poder. Cabe agora a todos e a cada um nesta casa da Democracia, assumir as suas responsabilidades políticas e democráticas", disse, na abertura do debate, em que deu o peito às balas das críticas da Oposição.

Carlos César, líder parlamentar do PS, refutou as acusações de ilegitimidade e apontou ao PSD a recusa em aceitar a regra da maioria no Parlamento. "Na verdade, nos últimos anos, a Direita portuguesa reconfigurou-se e radicalizou-se, incluindo nesse movimento o afastamento do PSD das suas raízes e emanações históricas e essenciais. A prova é que procurou o CDS, e não o PS, antes e logo após estas eleições", sublinhou.

A resposta social-democrata não se fez esperar, com a deputada Paula Teixeira da Cruz a acusar o PS de "usurpação eleitoral" e considerando que esta opção governativa irá levar a um "novo resgate". "Esses três partidos [PS, BE, PCP] estão eles próprios partidos por dentro. Que solução de estabilidade nos querem, então, apresentar?", disse a ex-ministra da Justiça que, às constantes interrupções, respondeu, ironicamente - "Riam, riam, senhores deputados, que depois vão chorar".

O Programa do Governo da coligação tem hoje morte certa, com a moção de rejeição do PS, a primeira das quatro a ser votada. Seguem--lhe as pisadas PCP, PEV e BE.

ver mais vídeos