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Silvano diz que é um "homem honrado" e saúda investigação

Silvano diz que é um "homem honrado" e saúda investigação

José Silvano disse, esta quinta-feira, que "quem não deve não teme", reafirmou que não pediu para lhe assinarem presenças no Parlamento e saudou a averiguação aberta pela PGR.

A reação surge na sequência do caso em que se viu envolvido sobre as faltas a dois plenários, que foram assinadas por alguém.

"Quem não deve, não teme. Ou melhor, nos tempos de hoje deve ser dito: não deveria temer", atirou o secretário-geral do PSD, na sala de conferências de imprensa do Parlamento, onde leu uma comunicação sentado.

Segundo Silvano, por detrás deste caso poderá estar o objetivo de atingir a presidência do partido, liderado por Rui Rio.

"Sou um homem honrado, com mais de 30 anos de vida pública e nunca ninguém me apontou qualquer irregularidade ou colocou em causa a minha honorabilidade até ter aceitado desempenhar o cargo de secretário-geral do PSD, na direção nacional do dr. Rui Rio", disse, frisando que "dada a dimensão mediática que este caso atingiu", quer ver tudo "rapidamente esclarecido".

Em causa está o facto de as presenças de Silvano em dois plenários parlamentares, a 18 e 24 de outubro, terem sido validadas por alguém que teve acesso à sua password, apesar de o secretário-geral do PSD ter faltado - como foi apurado pelo gabinete de Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República.

Esta quinta-feira, Silvano também não ajudou a esclarecer como surgiram assinadas no computador do plenário as suas presenças: "Não pedi a ninguém que registasse a minha presença no plenário da AR [Assembleia da República]. Tal como estou convencido que nenhum outro deputado o terá feito, mesmo quando no exercício de cargos executivos de direção partidária ao longo de anos".

Estas palavras do dirigente social-democrata aparecem quase 24 horas depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter revelado que está a analisar o caso, para perceber se há indícios que justifiquem a abertura de um inquérito.

"Não registei a minha presença, não mandei ninguém registar, não auferi qualquer vantagem monetária", garantiu.

O secretário-geral do PSD pediu ainda a abertura de uma investigação à PGR, caso não se confirme que já existe uma averiguação do Ministério Público. "No sentido de, rapidamente, dar início a uma real investigação se em tal processo todo este episódio não ficar devidamente esclarecido", explicou, pedindo "a maior brevidade

"Nunca imaginei que este episódio pudesse chegar ao patamar mediático a que chegou", admitiu.

Deputados sinalizados

O JN apurou que, desde terça-feira, o PSD já tem dois nomes suspeitos de terem picado o ponto por Silvano: um deputado eleito por um círculo do Norte, outro do Centro do país. A informação terá sido obtida com ajuda dos serviços da AR.

Os dois deputados em questão são muito próximos de José Silvano. Contactados pelo JN, ambos negaram alguma vez ter assinado a sua presença. Pedindo para não ser identificado, um deles alegou que a simples entrada no computador não serve de controlo de faltas - versão que contraria o que aconteceu nos plenários parlamentares.

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