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Sindicato destaca forte adesão da greve dos enfermeiros

Sindicato destaca forte adesão da greve dos enfermeiros

A greve dos enfermeiros está a ter grande adesão a nível nacional, segundo o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Entre os serviços mais afetados estão as cirurgias e as consultas externas.

Os enfermeiros iniciaram às 08 horas uma greve de dois dias pela "valorização e dignificação", que termina às 24 horas de sexta-feira.

Segundo José Carlos Martins, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), a adesão à greve situa-se nos 60 a 80%, existindo serviços totalmente paralisados. As consultas, alguns blocos operatórios e outros serviços programados estão a ser os mais afetados pela paralisação.

Sublinhando que existem hospitais com serviços "totalmente paralisados", José Carlos Martins disse que este nível de adesão espelha bem o descontentamento desta classe. A título de exemplo afirmou que a adesão no Hospital de São José, em Lisboa, ronda os 96,8% e que os blocos operatórios só fazem serviços urgentes, tal como no Hospital Santa Maria.

O panorama também é semelhante ao longo do país, com uma adesão de 71,9% nas Caldas da Rainha ou 40,6% na Póvoa do Varzim. A greve adiou as cirurgias programadas no hospital de Bragança, onde o sindicado aponta para uma adesão dos profissionais "acima dos 75%".

A greve é "uma expressão de insatisfação que exige resposta" do Ministério da Saúde e do Ministério das Finanças, frisou José Carlos Martins, em declarações no Hospital de S. José, em Lisboa.

O presidente do SEP destacou "a brutal carência de enfermeiros" no Serviço Nacional de Saúde (SNS), com "milhares de horas [extra] que os enfermeiros fazem à borla", para justificar o protesto. "Só neste hospital [S. José] há 15 mil feriados por pagar" aos enfermeiros, exemplificou o dirigente sindical.

Reivindicações

Este sindicato reivindica o descongelamento das progressões, com a contagem dos pontos justamente devidos a todos os enfermeiros, independentemente do tipo de contrato de trabalho.

A contratação imediata de 500 enfermeiros e de mais mil enfermeiros entre abril e maio é outra das reivindicações, assim como "a ocupação integral dos 774 postos de trabalho colocados a concurso" para as Administrações Regionais da Saúde (ARS).

O SEP pretende ainda que seja efetuado "o pagamento do suplemento remuneratório para enfermeiros especialistas em março, com efeitos a janeiro/2018" e "o efetivo pagamento do trabalho extra/horas a mais em março e abril".

A obrigatoriedade do cumprimento da legislação sobre horários de trabalho, em todas as instituições e a manutenção da missão das Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) são outras das medidas que os enfermeiros pretendem ver concretizadas.

A 13 de março, o Ministério da Saúde assinou com os sindicatos dos enfermeiros um protocolo negocial para a revisão das carreiras de enfermagem.

Apesar desta assinatura, o SEP decidiu manter a paralisação, pois as negociações com vista à revisão das carreiras é apenas "um dos 15 pontos que levaram à marcação da greve".

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