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SIRESP diz não aguentar "por muito mais tempo" dívida do Estado

SIRESP diz não aguentar "por muito mais tempo" dívida do Estado

A SIRESP SA reúne esta sexta-feira para decidir o futuro do sistema de redundância de satélite. O Governo está a dever 11 milhões de euros à empresa pelo investimento feito em 2018 e à vista pode estar um apagão daquele reforço da rede de comunicações de emergência e segurança.

A comissão executiva da SIRESP SA, que gere a rede nacional de comunicações de emergência e segurança, reúne ao final do dia desta sexta-feira para analisar a dívida do Estado à empresa pelo investimento feito já há um ano, que permitiu a criação de um sistema de redundância por satélite.

Em reação à notícia hoje avançada pelo JN, de que devido à dívida de 11 milhões de euros o satélite que permite a redundância do sistema pode ser desligado, a empresa garantiu num comunicado que "o contexto económico-financeiro da SIRESP, S.A. não permite a manutenção dos atuais sistemas de redundância por muito mais tempo sem uma solução financeira que cubra os custos implicados".

A Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) garante que está a "trabalhar afincadamente com o Estado no sentido de se chegar a uma solução que permita manter em funcionamento as redundâncias de satélite e de energia implementadas em 2018, altura em que o reforço foi efetuado para ir ao encontro do solicitado pelo próprio Governo".

O JN revelou esta sexta-feira que o sistema de redundância foi criado pela empresa, a pedido do Governo no início de 2018, já que se tratava de uma das propostas apontadas pelas comissões técnicas independentes que analisaram os incêndios trágicos de 2017. O sistema consiste num reforço das transmissões SIRESP, graças ao uso de satélite. Até ao verão de 2018, quando a redundância já foi usada, qualquer antena destruída deixava a área de influência sem comunicações. Agora, uma antena pode ser ativada via satélite assim que uma outra deixe de funcionar e assim a transmissão manter-se inalterada para as entidades de emergência e segurança.

Dos 11 milhões de euros em dívida, nove milhões dizem respeito ao investimento na estruturas e os outros dois milhões correspondem a oito rendas mensais de 200 mil euros e ainda a quatro meses de rendas parciais pelo uso dos equipamentos.

Além de estarem em perigo as comunicações no período de combate a incêndios, cujo nível de perigosidade aumenta já no dia 15 de maio, o JN apurou que há o risco de a SIRESP entrar em insolvência até ao final do verão se a dívida não for saldada.

Quer o Ministério das Finanças, quer o da Administração Interna, questionados pelo JN, ainda não se pronunciaram.