PPP

SIRESP vai custar mais 196 milhões de euros

SIRESP vai custar mais 196 milhões de euros

O contrato celebrado em 2006 entre o Estado e a SIRESP só termina em 2021, mas Bloco de Esquerda vai propor, quarta-feira, o fim desta PPP.

Até lá, esta parceria público-privada (PPP) vai custar mais 196 milhões, segundo o último boletim trimestral da Unidade Técnica de Apoio, somando aos cerca de 500 milhões já pagos.

A SIRESP resulta de um consórcio entre a Galilei (com 33% que antes pertenciam à SLN), a Altice (antiga PT, com 30%), a Motorola (com 15%), a ESEGUR (12%) e a Datacomp (10%).

Na sequência do incêndio de Pedrógão, o MAI encomendou um "estudo independente" ao sistema ao Instituto de Telecomunicações (IT), que tem como principal acionista a Altice.

"Esta atitude é uma vergonha", acusou ontem Carlos Abreu Amorim do PSD.

Este sábado, BE revelou que vai levar a votos, na próxima quarta-feira, no Parlamento, um projeto de resolução que recomenda ao Governo o fim da Parceria Público-Privada com a sociedade SIRESP SA.

Em declarações aos jornalistas no final da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, a coordenadora do partido, Catarina Martins, explicou a escolha do tema do debate que os bloquistas levarão ao parlamento a 5 de julho, e que foi conhecido na sexta-feira.

"Há ainda muito por apurar [sobre os incêndios da região Centro], mas há coisas que já se sabem: uma delas é que na altura mais difícil o SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) falhou e essa é a notícia que nós temos sempre que há um problema no país", criticou Catarina Martins.

"Não há ninguém que compreenda no país que o sistema que serve para momentos de catástrofes nunca trabalhe em momentos de catástrofe", acrescentou.

A coordenadora do Bloco salientou que se trata de um Parceria Público-Privada (PPP), que diz ter custado "cinco vezes mais do que o sistema custa".

"Tentar corrigir o SIRESP, que precisa de ser corrigido, no âmbito da PPP significa dar mais dinheiro aos privados que têm falhado sempre para fazer o que devia ser feito", considerou.

Por isso, disse, o BE proporá no parlamento a 5 de julho que "o contrato PPP com o SIRESP termine, que seja assumido o sistema de comunicações da esfera pública e que as alterações sejam feitas e assumidas pelo próprio Estado".

"Não podemos continuar a pagar a um privado que falha sempre", afirmou.

* com Lusa