Saúde

Sociedade de Défice de Atenção diz que Portugal consome menos ritalina que outros países

Sociedade de Défice de Atenção diz que Portugal consome menos ritalina que outros países

Para a Sociedade Portuguesa de Défice de Atenção, SPDA, a Perturbação de Hiperatividade e Défice e Atenção, PHDA, "continua a ser alvo duma série de preconceitos" e o consumo do metilfenidato, vulgarmente conhecido como ritalina, "é muito inferior (em Portugal) ao que se verifica na maior parte dos países ocidentais".

O organismo esclarece - em reação à notícia do Jornal de Notícias sobre o aumento de vendas deste fármaco em Portugal no último ano - que "apesar da extensa investigação genética, neurológica, imagiológica, neuropsicológica e empírica, a PHDA continua a ser alvo de uma série de preconceitos, não só da parte da população em geral, mas também de alguns grupos profissionais".

A SPDA receia que esta perceção preconceituosa face à questão "entrave ao diagnóstico e tratamento atempado da patologia". Lembra que estamos diante de uma perturbação do neurodesenvolvimento, que, segundo estudos epidemiológicos internacionais, afeta 5 a 7% da população em idade escolar e 2,5 a 3% da população em idade adulta. E se os dados do consumo do metilfenidato em Portugal apontam para percentagens de cerca de 1,7% de crianças medicadas, explica, "este número é muito inferior ao que se verifica na maior parte dos países ocidentais".

Ao estereótipo da PHDA da criança insuportável, irrequieta, impulsiva, e mal comportada, a SPDA, contrapõe, assinalando, indivíduo, criança, jovem ou adulto, do sexo masculino e feminino, que apresenta dificuldades crónicas em concentrar-se, iniciar tarefas, usar as funções executivas e modelar de forma adequada as suas emoções".

A SPDA sublinha que o metilfenidato é o medicamento de primeira linha no tratamento da PHDA, "de acordo com todas as guidelines (diretivas) internacionais, com efeitos positivos muito claros na redução da hiperatividade e impulsividade, no aumento das capacidades atencionais e cognitivas " e lembra que a sua eficácia é na ordem dos 80%.

E sublinha, tal como se refere no artigo do JN, que fazem falta mais psicólogos na avaliação do problema "Sim, fazem falta mais psicólogos nas diferentes equipas das consultas hospitalares onde crianças com PHDA são avaliadas e acompanhadas; e, sim, os psicólogos podem ajudar na implementação da abordagem não farmacológica, isoladamente ou na grande maioria das vezes em associação à terapêutica farmacológica".

A entidade declara que "há uma muito maior referenciação de crianças para consultas de PHDA em escolas com maior apoio psicológico".