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Sócrates recusa governar com ajuda do FMI

Sócrates recusa governar com ajuda do FMI

O primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, revelou, este sábado, que não está disponível para governar o país com a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e reafirmou que Portugal não precisa de ajuda externa.

"Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI", afirmou Sócrates, que falava na apresentação da moção de recandidatura como secretário-geral do Partido Socialista (PS), no Porto.

Fez esta afirmação para se distinguir do líder do PSD, Passos Coelho, que José Sócrates disse já se ter mostrado várias vezes disponível para governar nessas circunstâncias.

Reafirmou-o mais à frente, no mesmo discurso, ao referir o que significa, na sua opinião, uma intervenção do FMI.

Sócrates disse que "a agenda do FMI e da ajuda externa levaria o país a suportar programas que põem em causa não só o nosso estado social mas também o que é a qualidade de vida de muitos portugueses".

"Eu não estou disponível para isso", repetiu, reafirmando também que "Portugal não precisa de nenhuma ajuda externa.

José Sócrates acusou o Partido Social Democrata (PSD) de apenas pretender "cumprir a sua agenda liberal justificando-a com o FMI".

Na sua opinião, o projecto de revisão constitucional do PSD é "todo um programa de Governo", que propõe que "o Serviço Nacional de Saúde deixe de ser tendencialmente gratuito, que o Estado não tenha a obrigação de ter um sistema público de educação e que a constituição deixe de ter a proibição do despedimento sem justa causa".

"O que querem é com base nesse programa construírem em Portugal uma situação que lhes permita aplicar a sua agenda sob a capa do FMI", advertiu.

Para José Sócrates, aqueles que acenam com uma crise política estão a cometer "uma imprudência e uma irresponsabilidade" até porque o Governo "está disponível para negociar tudo, para dialogar, para conversar e para defender o interesse geral".

"Tudo faremos para evitar uma crise política", afirmou Sócrates, considerando "absolutamente lamentável que seja o único líder político que apela à negociação e ao diálogo".