Kits inflamáveis

Telmo Correia pede a Cabrita que deixe "de usar arrogância"

Telmo Correia pede a Cabrita que deixe "de usar arrogância"

O deputado do CDS-PP Telmo Correia, considerou esta sexta-feira, a propósito dos kits com componentes inflamáveis, que a Proteção Civil "não pode enganar" os portugueses e pediu ao ministro da Administração Interna para "deixar de usar arrogância".

"Não se pode enganar as pessoas", disse o centrista aos jornalistas, à margem de uma reunião com a direção da Polícia Judiciária, em Lisboa.

Na ótica do CDS-PP, para um "país que sofreu o que sofreu nos últimos anos" a "pior coisa que pode acontecer é ser o Governo um fator de alarmismo". "E obviamente que as populações saberem que foram distribuídos kits, e que esses kits são inflamáveis, obviamente isto não tranquiliza ninguém, antes pelo contrário", advogou.

Telmo Correia salientou também que "venha a explicação que vier, o que é importante é que o Governo diga [que] foi um erro", que vai "retirar rapidamente" os kits e que os vai "substituir por equipamentos que tenham a tal proteção carbónica, o tal teste carbónico, e que sejam efetivamente eficazes".

O deputado do CDS-PP aproveitou ainda para aconselhar o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a "deixar de usar a arrogância e a soberba" que também se tem "visto várias vezes no senhor primeiro-ministro, de quem fala sempre por cima do que quer que seja, e responder calma, tranquilamente e serenamente, procurando dar confiança".

"É isso que nós esperamos do Governo, e muito em particular de um ministro que tem a responsabilidade de Estado que tem o ministro da Administração Interna", vincou, considerando haver "um facto incontornável, é que se tem vindo a acumular episódios de uma extrema infelicidade e de uma extrema inabilidade, para não dizer irresponsabilidade por parte do atual ministro da Administração Interna".

O JN noticiou, na edição impressa desta sexta-feira, que a Proteção Civil entregou milhares de golas antifumo, fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, às "Aldeias Seguras", não tendo a eficácia que deveriam ter - evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro.

São quase duas mil povoações, ao abrigo do programa de autoproteção das populações, que receberam estes e outros equipamentos, como coletes refletores, compostos por materiais combustíveis.

A Foxtrot, fabricante que recebeu 328 mil euros pelo fornecimento dos "kits" de emergência ao "Aldeia Segura, Pessoas Seguras" - dos quais 125 mil foram para a produção de 70 mil golas -, garante que considerou que em causa estava "merchandising" da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e que esta entidade não referiu que os equipamentos "seriam usados em cenários que envolvem fogo".

Ao JN, a ANEPC defendeu que os equipamentos não passam de um "estímulo à implementação local dos programas" e que nem são um "equipamento de proteção individual".

Questionado sobre o assunto, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse, esta sexta-feira, que a notícia é "irresponsável e alarmista" e sublinhou a importância do trabalho que está em curso em mais de 1600 aldeias do país, assegurando que a distribuição das golas antifumo não põe em causa nem o projeto nem a segurança das pessoas.