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Trabalhar aos domingos está a fazer mal às famílias

Trabalhar aos domingos está a fazer mal às famílias

Trabalhar aos domingos está a fazer mal às famílias. Esta foi uma das ideias debatidas durante a homenagem à Organização Internacional do Trabalho (OIT), quarta-feira à noite, em Fafe, no âmbito do "Terra Justa - Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade".

Um tema lançado por Domingos Barbosa, dirigente da Confederação de Comércio de Portugal, que acusou o governo de ser conivente com os patrões das grandes superfícies comerciais. "A política ainda tem muito a fazer para melhorar a qualidade do posto de trabalho. As grandes superfícies não abdicam de abrir ao domingo e isso prejudica a qualidade de vida familiar. Foi uma luta que perdemos", disse este dirigente frisando.

"Os governos vergam-se ao poder das grandes cadeias de distribuição e estamos a falar de família, de seres humanos e o domingo faz falta ao bem-estar", acrescentou Domingos Barbosa.

Esta ideia foi secundada por Arménio Carlos, líder da CGTP. "Trabalhar ao domingo é anormal e não faz sentido nos tempos que correm. Patrões e trabalhadores deviam encetar um processo para acabar com o trabalho ao domingo", propôs, diante de um painel com patrões e sindicatos.

O líder da CGTP alertou, ainda, para o facto de em 2019 "o mundo produzir mais, haver mais riqueza, e haver ainda na Europa e em alguns casos em Portugal, trabalho escravo. É um problema da sociedade".

Futuro do trabalho é preocupação generalizada

Durante esta homenagem à OIT, foi também abordado o futuro das relações laborais. "Estamos perante um desafio muito importante, o futuro do trabalho. Não nos perturba a evolução da tecnologia. Vamos enfrentar esses desafios sem partirmos para a desregulação do trabalho e não podemos aceitar que em empresas do nosso país, a geração mais qualificada de sempre, tenha vínculos precários ou recebam o salário mínimo nacional. Assim o país não se desenvolve e está a desperdiçar o investimento na formação desses jovens", disse Arménio Carlos.

Carlos Silva, Secretário-Geral da UGT, apontou para a necessidade de "as pessoas precisarem de ter salários justos, condições dignas. Encontrar um denominador comum entre empresas, trabalhadores e o país para um desenvolvimento harmonioso".

Helena André, em representação da OIT, quis destacar o novo trabalho nas plataformas digitais e os "efeitos negativos nos salários, contratos precários e na falta de proteção social porque "é difícil identificar quem é o empregador, não se sabe com quem negociar".

Outra das preocupações da última Ministra do Trabalho dos governos de José Sócrates, é perceber como se vamos ou não substituir os trabalhadores pelas novas tecnologias. "Temos que ter o equilíbrio entre as novas tecnologias e o factor humano", defendeu.