Saúde

Três novas vacinas terão custo de 15 milhões de euros por ano

Três novas vacinas terão custo de 15 milhões de euros por ano

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, estimou esta terça-feira que a introdução das três novas vacinas aprovadas em sede de Orçamento do Estado 2019 terá um custo direto de 15 milhões de euros por ano.

Ouvida na Comissão Parlamentar de Saúde sobre a introdução no Plano Nacional de Vacinação (PNV) das vacinas contra a Meningite B e o Rotavírus e o alargamento da vacina do Vírus do Papiloma Humano (HPV) aos rapazes, Graça Freitas informou que "dentro de poucos dias, semanas no máximo, a Direção-Geral da Saúde (DGS) submeterá à tutela informação sobre as várias opções de vacinação".

Com base na experiência adquirida e fazendo "contas de merceeiro que geralmente batem certo", Graça Freitas disse que a entrada das três vacinas no mesmo ano poderia ter um custo direto de 15 milhões de euros, o que representa quase metade do custo de todo o Plano Nacional de Vacinação.

A Comissão Técnica de Vacinação já entregou à DGS o estudo realizado sobre o HPV e deverá entregar em breve os relatórios sobre o meningococo e rotavírus, acrescentou.

Sobre o HPV, Graça Freitas começou por informar que as estimativas apontam para a existência de 160 a 180 casos por ano de cancro nos homens atribuíveis a este vírus, enquanto nas mulheres o HPV é responsável por quase 100% dos cancros do colo do útero.

"Não se pode ter a expectativa de que a vacina faça milagres no caso dos rapazes", disse Graça Freitas.

Segundo estimativas da Comissão Técnica de Vacinação, "até 2040, mesmo que vacinemos os homens, o cenário praticamente não se alterará", referiu, notando que os efeitos da vacinação em homens e mulheres só começarão a sentir-se a partir de 2050.

A diretora- Geral da Saúde informou que há quatro opções para serem submetidas à tutela, a quem cabe a decisão política: a aposta na proteção indireta dos homens com vacinação das raparigas (tal como existe); o alargamento da vacinação aos rapazes com a vacina bivalente (protege apenas contra os cancros mas é mais barata); o alargamento aos rapazes com a vacina tetravalente e quadrivalente (protege contra cancros e outras patologias); e, por último, a opção de alargar a vacinação aos rapazes com a vacina nonovalente (a que é atualmente administrada às raparigas).

Esta última opção, esclareceu Graça Freitas, custaria 18 milhões de euros no primeiro ano de vacinação, no qual seria necessário o esforço inicial de repescagem.

Relativamente às duas outras vacinas, a diretora-geral da Saúde confessou ter angústias. "Quem nos dera que todas as vacinas fossem muito boas. Se fossem não tínhamos dúvidas", afirmou.

Segundo Graça Freitas, a vacina da meningite B "ainda tem limitações", nomeadamente no que respeita à concordância entre o seu conteúdo e as estirpes em circulação que "não é muito boa" (67,9%), e porque ainda não deu provas de criar imunidade de grupo.

Sobre a vacina do rotavírus, a Diretora-Geral da Saúde voltou a frisar que a carga de doença em Portugal não é relevante. Ainda assim, o relatório com as opções e respetivo impacto financeiro será apresentado à tutela.

Em novembro último, o Orçamento do Estado 2019 aprovou a introdução das três novas vacinas no PNV, permitindo assim um acesso gratuito e universal àquelas vacinas, duas das quais já recomendadas por muitos pediatras (meningite B e rotavírus).

No texto do OE ficou expressamente definido que a inclusão das vacinas teria de ser feita em articulação com a DGS. Os relatórios serão agora submetidos à apreciação do Ministério da Saúde e Governo, a quem caberá a decisão final.