Estudo

Um terço das mulheres portuguesas sente-se infeliz

Um terço das mulheres portuguesas sente-se infeliz

Um terço das mulheres sente-se infeliz. Sendo o(a) companheiro(a) a faceta da vida das mulheres mais associada à felicidade ou infelicidade por elas sentida.

Esta é apenas uma das múltiplas conclusões daquele que é considerado o maior estudo de sempre sobre as mulheres em Portugal. Apresentado esta tarde em Lisboa, "As mulheres em Portugal, hoje" assinala os dez anos da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS). No total, foram entrevistadas 2428 mulheres que, garantem os investigadores, "deverão representar perto de 2,7 milhões de mulheres residentes em Portugal".

As mulheres portuguesas sentem-se cansadas e sobrecarregadas. O que explica o grau de infelicidade. 47% dizem-se felizes ou muito infelizes. Mas 33% sentem-se infelizes. Se se quiser medir a felicidade com o trabalho pago, então mais de metade sente-se infeliz. E é entre os 35 e os 49 anos de idade que enfrentam o período mais complicado das suas vidas. Altura em que muitas lidam com três frentes: a laboral, a conjugal e a maternal. A que se junta o trabalho não pago. O lavar a roupa, fazer o jantar, dar banho aos filhos, ajudar no TPC ou passar a ferro. Aqui, as mulheres trabalham, em média, três vezes mais do que o homem.

O que explica que nas facetas relativamente às quais as mulheres se sentem mais felizes esteja, em primeiro lugar, precisamente, o tempo que a mulher dispõe para si. Em sentido inverso, e por grau de importância, o(a) filho(a)s, o(a)s neto(a)s, as amigas, os amigos e a pessoa parceira são as facetas que mais as enchem de felicidade.

Após tipificar oito situações, verifica-se que aquela onde mais mulheres se enquadram é na denominada "Tudo sobre controlo". Representam 18% do total e corresponde a mulheres que estão nas três frentes de vida, com uma média de 41 anos, e que conseguem lidar sem grande dificuldade com o trabalho, os filhos e o casamento. No outro extremo, temos 10% das mulheres "esgotadas". Têm em média 57 anos de idade, baixa escolaridade e sentem-se enganadas na sua relação com o parceiro.

A escolaridade, aliás, torna-se determinante, tanto do ponto de vista financeiro, como na forma de ser e estar perante a vida. Por isso, frisam os investigadores, urge que os poderes públicos atentem na importância que a escolaridade assume na vida das mulheres. Mas, também, que se implementem medidas que "promovam a co-responsabilidade entre os membros do casal". É que, avisam, "a situação vivida por muitas mulheres atualmente é insustentável, a vários níveis".