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Um terço dos bebés são de mães com mais de 35 anos

Um terço dos bebés são de mães com mais de 35 anos

Aumento dos nascimentos não é suficiente para compensar subida da mortalidade. Saldo natural está negativo há já dez anos.

O cenário repete-se. A ligeira subida dos nascimentos em Portugal é insuficiente para compensar o aumento de óbitos num Portugal envelhecido e em que o saldo natural se mantém negativo há já dez anos consecutivos.

Num Portugal em que se é mãe cada vez mais tarde, em que a mortalidade infantil voltou a aumentar e em que os casamentos católicos ficam-se por um terço. Mas há boas notícias, conforme o JN já noticiou. É que só nos primeiros três meses deste ano o aumento de nascimentos é superior ao verificado em todo o ano de 2018, como demonstram os dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Analisemos, então, os dados. No ano passado, nasceram em Portugal 87.020 crianças, o que representa um crescimento de 1% face a 2017, com mais 866 nados-vivos. Mas conforme o JN noticiou na passada semana, e tendo por base os dados facultados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, foram realizados 21.348 "testes do pezinho", mais 984 do que em período homólogo do ano anterior. Mesmo assim, o saldo natural continua negativo e agravou-se, registando o pior valor dos últimos dez anos: -25.980. Isto porque os óbitos continuam a subir a um ritmo bastante superior ao dos nascimentos. Em 2018, morreram em Portugal 113 mil pessoas, mais 3.242 do que em 2017.

Relativamente aos nascimentos, destaca-se, ainda, o facto de as mães serem-no cada vez mais tarde. No ano passado, um terço dos bebés eram filhos de mães com mais de 35 anos, quando em 2010 representavam um quinto. Em sentido inverso, as mães com idades entre os 20 e os 34 anos recuaram para 64,9% do total, o que compara com 74,2% em 2010. Abaixo dos 20 anos são já residuais. Estatísticas que refletem, conforme já explicado por diversas demógrafas, o adiamento da maternidade devido à crise económica dos últimos anos. As mulheres procuram agora ter os filhos que desejavam ter, mas que foram adiando à espera de melhores condições de vida. O que explica também a subida dos segundos filhos.

Os dados do INE mostram, também, um agravamento da mortalidade infantil, o que levou já a Direção-Geral da Saúde a criar um grupo de trabalho para estudar o fenómeno. Assim, no ano passado, a taxa de mortalidade infantil foi de 3,2 óbitos por mil nados-vivos, contra 2,7 em 2017. No total, registaram-se 281 óbitos de crianças com menos de um ano de idade, mais 52 face a 2017. Recorde-se que o valor mais baixo desta taxa foi conseguido em 2010, com 2,5 óbitos infantis por mil nados-vivos.

As "Estatísticas Vitais" agora reveladas pelo INE dão ainda conta de um aumento de 3% dos casamentos em Portugal, com 34.637 enlaces, representando os católicos um terço. Em linha com anos anteriores, há cada vez mais casais que já partilhavam a mesma casa antes de se casarem. Quanto aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo foram realizados 607, mais 84 do que em 2017: 342 entre homens e 265 entre mulheres.