Saúde

Mais de 800 pessoas permaneciam internadas após ter tido alta

Mais de 800 pessoas permaneciam internadas após ter tido alta

A 17 de março, 853 (5,4%) pessoas internadas em 43 hospitais públicos permaneciam de forma "inapropriada", por terem já alta clínica e não haver um motivo de saúde que o justificasse, o que pode representar um encargo financeiro, no ano, para o Estado de cerca de 100 milhões de euros.

De acordo com o quinto Barómetro de Internamentos Sociais da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), que é apresentado nesta quinta-feira, 853 pessoas permaneciam sem destino, num total de 15 675 internados naquelas unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e do Serviço Regional de Saúde da Madeira (exceto hospitais psiquiátricos), que representavam 95,6% do total a nível nacional.

Indicando que os casos identificados naquela data representavam na altura um custo de 16,3 milhões de euros, tendo em conta o número de internamentos, a sua demora média e os custos diários, a organização diz, que, "extrapolando este cenário para o conjunto do ano", o fenómeno pode ter um impacto financeiro para o Estado estimado em cerca de 100 milhões de euros.

Segundo a APAH, a principal causa de internamento "inapropriado" em 2021, abrangendo 59% dos casos, é a falta de resposta a Rede de Cuidados Continuados (RNCCI), obrigando à permanência nos hospitais de doentes já com alta clínica, mas que necessitam de tratamentos (reabilitação física, por exemplo). Estão incluídos também casos registados devido à pandemia de covid-19

O barómetro indica que o número de internamentos inapropriados recolhido na data de amostragem foi inferior em 45% (-698 casos) aos registados no estudo do ano passado (18 de fevereiro).

Citado na nota de imprensa da APAH, o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, João Araújo Correia, relativiza o decréscimo, pois "assistiu-se a uma "limpeza" das listas de espera para lar e para a RNCCI nos meses de pico da pandemia (novembro/dezembro de 2020), pela absoluta necessidade de camas hospitalares para doentes covid e não covid".

"A percentagem de ocupação das áreas não covid (96%) nos Serviços de Medicina demonstra que a Medicina Interna continuou a cuidar mais 26,3% doentes para além da sua lotação base, a maior parte deles internados nos Serviços de Urgência, enquanto 14,09% das camas estavam ocupadas por doentes com alta clínica. É o verdadeiro paradigma da incongruência", afirma o especialista.

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"Infelizmente, desde o início de fevereiro, com a redução dos números da pandemia, temos assistido ao retorno do atraso da resposta da Segurança Social, com aumento progressivo dos tempos de espera", acrescenta.

Somando cerca de 29 mil dias de internamentos inapropriados (menos 76% do que os cerca de 120 mil registados em 2020), os casos registados em março apresentam uma demora média nacional de 33,6 dias por episódio, menos 57% do que na edição anterior do barómetro (77,4 dias).

A falta de resposta na Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), que é a segunda causa do número de internados inapropriados (18%) é a primeira explicação para o número de dias dos internamentos, acrescenta a nota.

O fenómeno de internamentos sociais produz um "elevado impacto no prolongamento da ocupação das camas" e "no aumento dos tempos de espera para internamentos programados", salienta

Por regiões, o Norte apresentava em março o maior número de internados "inapropriados", com 420 casos, menos 280 do que no barómetro do ano passado, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo (225) e o Centro (109), respondendo as duas primeiras por 75% do total nacional.

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