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Isaltino diz que Marques Mendes "não tem coluna vertebral"

Isaltino diz que Marques Mendes "não tem coluna vertebral"

O ex-presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, denuncia, no livro que retrata os seus 427 dias na prisão, a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, e o comentador político Marques Mendes de terem contribuído para a sua condenação por fraude fiscal e branqueamento de capitais.

No livro "A minha prisão - E se acontecesse consigo?", que chega esta sexta-feira às bancas, o antigo autarca classifica Teixeira da Cruz como alguém "sem princípios e caráter", que agiu por vingança após Isaltino lhe acabar com a avença que tinha na Universidade Atlântica. Já sobre Marques Mendes, acusa-o de ingratidão, referindo que o ajudou a chegar a ministro de Durão Barroso.

Os dois sociais-democratas são, ao longo de todo o livro, alvo de várias análises de caráter. Mas com mais intensidade a partir da página 49. Aí, começa por alegar que Mendes é um caso de "ingratidão típico". "Fi-lo presidente da EIA (instituição detentora da Universidade Atlântica), quando em 1999, me entrou no gabinete pedindo-me o cargo", conta Isaltino, lembrando que o advogado justificou o pedido "por ter contraído despesas em Bruxelas".

"Marques Mendes não tem coluna vertebral, aceita tudo", atira.

Diz depois que ajudou Mendes a chegar à tutela dos Assuntos Parlamentares, em 2002, contra vontade de Durão Barroso. "Foi assim que se tornou ministro de um homem que abominava e que o abominava. Nunca, porém, me agradeceu", conta, garantido que "todos estes episódios serão contados em profundidade e detalhe noutra obra" dentro de pouco tempo.

Todavia, lá vai libertando que, na opinião de Durão, o atual comentador da SIC integrava o grupo de "boys" sociais-democratas no Parlamento, composto, entre outros, por Miguel Macedo ou Azevedo Soares.

Quanto à ministra da Justiça, refere que o alegado sentimento de vingança da governante foi espoletado a partir do momento em que acabou com avença na Universidade Atlântica, onde esta "nunca apresentou" trabalho que justificasse o valor que recebia.

Terá sido, depois, em 2005, quando Teixeira da Cruz era presidente da Comissão Política Distrital de Lisboa do PSD e Marques Mendes presidente da Comissão Política Nacional do partido, que Isaltino garante ter passado à "categoria de inimigo". "Até então, era visto por aquela dupla como um adversário", salienta.

"(Ofereceram-me) nessa altura, a possibilidade de concorrer a diversas câmaras da área metropolitana de Lisboa", justifica, invocando que ao escolher ser independente por Oeiras provocou a ira da "dupla".

"Pessoalmente, tenho razão e factos que me permitem catalogar a ministra como pessoa sem princípios e sem caráter", escreve, de forma isolada, na página 212.

Vegetariano e espetador dos programas da manhã

Cura Mariano, juiz relator do acórdão do Tribunal Constitucional sobre o recurso de Isaltino, é outra das figuras sobre a qual recaem críticas. Diz o ex-autarca que o juiz chegou ao Palácio Ratton "indicado pelo PSD, quando Marques Mendes era presidente da Comissão Política do PSD". Daí que realce a "celeridade desse acórdão", que foi diferente do "referente ao caso Portucale parado há muito" nesse altura.

Denuncia também que Leonor Furtado, a procuradora autora da primeira acusação contra si, lhe terá pedido inúmeras cunhas em nome de uma amizade que os unia. "Durante anos (quando) me visitava na Câmara de Oeiras e com frequência me instava a falar com o primeiro-ministro à época, Cavaco Silva, no sentido de lhe conseguir um cargo de diretora-geral na administração pública, pois estaria "farta do Ministério Público"".

"Mais tarde, quando desempenhei o cargo de ministro do ambiente, ficou magoada por eu não a ter nomeado para uma inspeção-geral. Acabou por ver a sua ambição satisfeita, quando foi promovida a diretora-geral do Instituto de Reinserção Social, após a acusação", conclui.

A partir de uma certa parte da obra, com 481 páginas, os textos adquirem o formato de diário, correspondente aos 14 meses de prisão.

Ai, retrata falhas na comida, más condições no estabelecimento da Carregueira - onde se incluem interrupções elétricas e frio nas celas. Conta que uma das cenas que mais o marcou foi quando se detetou que o "lombo do peixe de Manuel Abrantes (ex-provedor da Casa Pia condenado por pedofilia) tinha uma mosca varejeira na barriga deste".

Esses e outros episódios fizeram com que se tornasse vegetariano. Mas também atento espetador dos programas da manhã, principalmente da SIC, no que toca aos comentários sobre casos de Justiça.

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