Inauguração

Centro "drive-thru" no Porto vai vacinar até duas mil pessoas por dia

Centro "drive-thru" no Porto vai vacinar até duas mil pessoas por dia

Já é possível ser vacinado sem sair do carro no Porto. O centro de vacinação "drive-thru", instalado no Queimódromo, abriu esta quinta-feira e tem capacidade para inocular até duas mil pessoas por dia.

Espalhados pelo Queimódromo, há 12 postos de inoculação, sendo que as vacinas são administradas por enfermeiros contratados pela Unilabs. Após entrarem de carro no recinto, os utentes recebem um formulário para preencher e só depois avançam para a vacinação. Tudo sem sair do carro. Apenas a fase de recobro é realizada fora do veículo, dentro de uma estrutura coberta montada para o efeito.

Esménia Sá e o marido, António Sá, foram dois entre os cerca de 50 utentes a serem vacinados na abertura do centro de vacinação "drive-thru". O casal foi convocado para tomar a segunda dose da AstraZeneca através do ACES Porto Ocidental, após ter recebido a primeira toma da vacina na Batalha, em abril. Nessa altura, esperaram mais de meia hora para serem inoculados.

"Aqui é muito mais confortável. Foi muito mais rápido", afirmou António Sá.

A mulher, Esménia Sá, defende que o modelo deve ser replicado noutras zonas do país. "Quanto mais pessoas forem vacinadas, menos contágio há", disse ao JN.

Também Amélia Ferreira, de 74 anos, admitiu sentir-se mais segura por não ter de sair do carro para ser vacinada. "Ligaram-me para vir tomar a vacina. Não sabia que isto estava a funcionar, pensava que ia tomar a segunda dose ao mesmo sítio. Até pensei que tivesse de ficar à espera numa fila, mas foi rápido", contou a utente ao JN, enquanto estava no recobro.

José Teixeira também foi um dos utentes inoculados. "À entrada indicaram-me para onde ir, deram-me um papel para preencher e depois fui vacinado. Nunca sai do carro. Sinto-me mais seguro. Além disso, foi rapidíssimo", afirmou.

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De acordo com o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, nesta fase piloto, de forma a testar as equipas, os utentes estão a ser contactados pelo ACES Porto Ocidental. Esta quinta-feira, foram inoculadas as pessoas que estavam a fazer a segunda dose da AstraZeneca. No entanto, a partir do dia 14 de julho, a convocatória passará a ser feita através do autoagendamento, que já se encontra disponível no site da Direção Geral de Saúde.

"As pessoas entram na plataforma da Direção-Geral de Saúde e vão ter três locais de vacinação para escolher na cidade do Porto: Cerco, Regimento de Transmissões e Queimódromo", detalhou Carlos Nunes, explicando que caberá à ARS Norte a cedência das vacinas e a gestão das inoculações a administrar diariamente. A ideia é iniciar com 500 por dia e aumentar "progressivamente" esse número.

"Neste momento vão estar enfermeiros do ACES a colaborar com os enfermeiros contratados pela Unilabs. Os enfermeiros já estão registados na plataforma da SPMS e, portanto, estão aptos a iniciar este processo. Também temos alguns enfermeiros da Unilabs que fizeram, ao longo destes últimos dias, alguma prática no centro de vacinação do regimento de transmissões", contou Carlos Nunes.

O Queimódromo está pronto a vacinar desde fevereiro, mas a autorização do Governo e do grupo de trabalho para a vacinação chegou apenas no final de junho. Questionado sobre o assunto, Carlos Nunes avançou com uma justificação: "O processo de vacinação começou pelos lares, depois foi vacinada a população maior de 80 anos e, neste momento, já temos um número de vacinas que nos permite ter muitos mais centros de vacinação a funcionar. A decisão de começar esta semana foi tomada pela task-force. Não se justificaria provavelmente em meses anteriores [abrir o centro "drive-thru"] porque também não tínhamos vacinas suficientes".

Segundo a Câmara do Porto, além de permitir "um processo seguro de vacinação em larga escala" o novo centro de permitirá "atenuar a pressão nos outros pontos de vacinação da cidade". Além de ceder as instalações, caberá à Autarquia garantir os meios da Proteção Civil e da Polícia Municipal necessários para apoiar na operacionalização do centro e assegurar o transporte das vacinas "em segurança" de e para o centro "drive-thru".

O administrador da Unilabs, Luís Menezes, garantiu que o espaço, que entende como uma forma da empresa ajudar a cidade no processo de vacinação, "cumpre tudo o que é obrigatório por lei" e vai funcionar sem vacinação aberta. "Todas as marcações serão controladas pelo Serviço Nacional de Saúde e só vamos fazer vacinas por marcação", destacou, sem precisar qual o investimento na estrutura.

Segundo aquele responsável, há outras câmaras interessadas em replicar o modelo. "Já tivemos vários municípios interessados e já passamos para esses municípios os projetos, que vão estar disponíveis para quem quiser replicar este processo e aumentar a capacidade de vacinação do país", afirmou Luís Menezes.

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