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Já não há camionistas portugueses retidos em Inglaterra

Já não há camionistas portugueses retidos em Inglaterra

Mais de 100 motoristas entraram este sábado em França vindos de Inglaterra. Antram quer debater com Governo efeitos da subida do salário mínimo.

Os mais de 100 camionistas portugueses que, este sábado ao início do dia, ainda se encontravam retidos no Reino Unido passaram todos a fronteira para França nas horas seguintes, confirmou o JN junto da Antram - Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias. O porta-voz da associação, André Matias de Almeida, revelou que irá pedir uma "reunião de urgência" ao Governo em janeiro, não só para debater o assunto como para discutir as consequências "insustentáveis" que o aumento do salário mínimo terá nas empresas do setor.

"Podemos confirmar que, neste momento, não há nenhum português retido em Dover", disse Matias de Almeida ao JN. Às primeiras horas da manhã, ainda havia "mais de cem" motoristas nacionais à espera de entrar em França.

Recorde-se que, nos últimos dias, se concentraram milhares de camionistas em Dover, no sul de Inglaterra. O motivo foi o facto de a França ter proibido a entrada de pessoas oriundas da Grã-Bretanha, após ter sido descoberta na ilha uma nova variante da covid-19.

De manhã, à Lusa, Matias de Almeida tinha dito que os cerca de três mil testes à covid-19 feitos aos motoristas retidos revelaram que havia apenas "três a cinco" infetados. Para o representante da Antram, os naturais convívios que os camionistas acabaram por organizar enquanto esperavam foram mais prejudiciais do que se todos eles estivessem em trânsito.

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Na última quarta-feira, a Antram tinha estimado que as perdas diretas provocadas pelo impasse na fronteira franco-britânica pudessem ascender a três milhões de euros para as empresas nacionais. Nesse sentido, André Matias de Almeida quer reunir com o Governo, de modo a debater tanto os prejuízos humanos como económicos.

No entanto, essa "reunião de urgência", que a Antram pretende que ocorra na primeira quinzena de janeiro, também servirá para discutir os eleitos que o aumento do salário mínimo em 2021, de 635 euros para 665 euros, terá no setor. Na opinião de Matias de Almeida, o impacto será "insuportável".

"É um aumento enorme", considera o porta-voz da Antram, revelando existirem casos em que o agravamento dos custos ascenderá a um milhão de euros. "É absolutamente insustentável", concluiu.

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