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Jerónimo avisa que não há estabilidade política com "instabilidade social"

Jerónimo avisa que não há estabilidade política com "instabilidade social"

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, avisou esta terça-feira que a estabilidade política desejada pelo primeiro-ministro só se consegue se não houver "instabilidade social". "Não acompanhamos aqueles que, em vez de procurarem respostas para os problemas nacionais, dos trabalhadores e do povo, ameaçam com uma crise política", referiu.

"Se não se encontrarem respostas concretas, podemos conseguir toda a estabilidade política, mas a instabilidade social e os dramas sociais no nosso país vão aumentar significativamente. É contra isso que nos batemos", alertou Jerónimo, à margem de uma iniciativa de comemoração dos 50 anos da CGTP, em Lisboa.

O secretário-geral do PCP referiu que "a vantagem de andar cá há muitos anos" é saber que, sempre que a estabilidade política foi transformada num "valor absoluto" com "algo de sacrossanto", os resultados foram "desastrosos". Para o comunista, a retoma do pós-pandemia consegue-se dando "resposta imediata" ao "respeito pelos salários e direitos de quem trabalha".

Jerónimo recordou também "um ensinamento que parece estar esquecido neste momento", considerando que, "ao contrário do que muitos diziam" até 2015, foi a "valorização dos salários e dos direitos" que permitiu recuperar da última crise.

Esta segunda-feira, António Costa disse que seria "absolutamente insano" haver uma crise política na atual conjuntura nacional e internacional.

PCP discute Orçamento sem "reserva mental"

O líder do PCP afirmou também que o partido tem "procurado dar a sua contribuição" para o Orçamento de Estado (OE) para 2021, mas lembrou que este ainda está "numa fase muito preliminar". O documento, recorde-se, deverá ser entregue pelo Governo no Parlamento a 12 de outubro.

Jerónimo de Sousa garantiu que o PCP vai participar no debate do OE "sem nenhuma reserva mental" e focado na resolução dos "dramas sociais" agravados pela pandemia.

Sobre a possibilidade de o país ser gerido por duodécimos a partir de janeiro - o que acontecerá caso o novo ano arranque ainda sem acordo para o OE -, o secretário-geral comunista não quis fazer "juízos de valor antecipados". No entanto, sublinhou que essa não seria "uma boa solução", uma vez que seria um "sinal de que o Governo não atendeu a justas reivindicações, a aspirações concretas e ao próprio interesse nacional".

O BE, recorde-se, já fez saber que não haverá "problema" em ir para duodécimos caso a "teimosia" do Governo subsista nas negociações do OE. Na segunda-feira, Catarina Martins disse que "é o momento de o Governo começar a concretizar medidas para se construírem soluções sólidas".

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tem deixado repetidos avisos aos partidos políticos para necessidade de haver um orçamento de Estado aprovado, ora apelando aos partidos da antiga "geringonça", ora ao PSD, lembrando que ele próprio enquanto líder da Oposição chegou a viabilizar orçamentos de governos PS.

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