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Jerónimo recusa que PCP esteja "domesticado"

Jerónimo recusa que PCP esteja "domesticado"

O secretário-geral do PCP rejeitou que o partido esteja "domesticado", mas antes aberto a "tomar e assumir compromissos" contra a "política de direita".

"Podem repetir até à exaustão a historieta do PCP domesticado que não nos impressionam. Como não impressionaram ninguém quando há meses, perante a perspetiva de uma solução que condenava o seu Governo à derrota, diziam exatamente o contrário, e levantavam, agitados, o espantalho do assalto ao poder pelo PCP e do regresso do PREC, com o PS a reboque", afirmou Jerónimo de Sousa, no primeiro de três dias do XX Congresso Nacional dos comunistas, em Almada.

O líder comunista declarou que o problema do seu partido "não está, nem nunca esteve, em tomar e assumir compromissos", pois "esse é problema que há muito está resolvido entre aqueles que estão na luta pela transformação social".

"Mas sim o de saber que compromissos? Compromissos para traficar princípios? Não fazemos! Desiludam-se também aqueles que esperam ver um PCP resignado à inevitabilidade da política de direita", assegurou, no Complexo Municipal dos Desportos "Cidade de Almada".

Jerónimo de Sousa reconheceu os "avanços conseguidos, mesmo que insuficientes", através de um Governo do PS, que lamentou "não se libertar das imposições europeias".

"Ninguém como nós tem consciência do quadro contraditório de possibilidades e limitações que a nova fase da vida política nacional apresenta (...), bem evidente na evolução da situação política e da vida do país deste último ano", disse Jerónimo de Sousa. Para o secretário-geral do PCP, "está patente, por um lado, nos avanços conseguidos, mesmo que insuficientes, e, por outro, nas manifestas limitações a avanços mais decisivos e indispensáveis que resultam do facto de estarmos perante um governo do PS com a sua opção de não se libertar das imposições europeias, do euro e do domínio do capital monopolista e de outros constrangimentos".

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Jerónimo de Sousa citou perante os 1200 delegados como maus exemplos "a resolução do Banif, o processo de nomeação da administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD)" ou "as opções de política económica, fiscal e externa".

"A nova fase da vida política nacional não traduz um governo de esquerda (...) mas sim uma solução que permitiu a formação e entrada em funções de um governo minoritário do PS com o seu próprio programa, onde está presente um compromisso de reverter direitos e rendimentos esbulhados aos trabalhadores e ao povo", sintetizou.

Segundo o líder comunista, a atual situação "permite ao PCP manter total liberdade e independência políticas, agindo em função do que serve os interesses dos trabalhadores, do povo e do país e em que o que pesa particularmente na evolução da situação política é a existência de uma relação de forças na Assembleia da República", em que "PSD e CDS-PP estão em minoria, e, ao mesmo tempo, os grupos parlamentares do PCP e do PEV condicionam decisões e são determinantes".

Impossível refundar e democratizar a UE

O secretário-geral do PCP sustentou ainda que é impossível refundar e democratizar a matriz política da União Europeia, e apontou como prioridade libertar o país dos constrangimentos da moeda única.

"A experiência recente demonstra que a União Europeia constitui uma matriz política e ideológica impossível de ser democratizada, humanizada ou refundada", afirmou.

Aos que "acenam" com "cenários de catástrofe" em caso de saída da moeda única, Jerónimo de Sousa respondeu que "pretendem vender a tese da inevitabilidade" de o país continuar amarrado ao euro. Mas, disse, "como a situação da Grécia demonstra, é uma perigosa ilusão pensar-se, ou proclamar-se, que se podem encontrar reais soluções para as questões do desenvolvimento económico e do progresso social aceitando-se o quadro de imposições da União Europeia e em especial do Euro".

Jerónimo de Sousa referiu também os alertas oriundos "do consenso de Bruxelas entre direita e social-democracia" para os "perigos e os problemas da Europa" resultantes das desigualdades e das assimetrias, afirmando que o PCP já o tinha identificado.

"Sabíamos que o caldo de exploração social e opressão nacional resultando das políticas da União Europeia iria tornar mais reacionários os sistemas políticos e abrir o campo à extrema-direita", disse.

Por isso, "é uma profunda hipocrisia e um ato de manipulação política usar a crise na e da União Europeia para justificar novos saltos em frente no processo de integração capitalista", considerou.

"É por isso que a questão que está colocada não é a de maquilhar, refundar ou democratizar a União Europeia. A questão que está colocada aos povos não é mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma, mas sim articular ruturas que permitam construir uma outra Europa", disse.

Para o PCP, a construção dessa "outra" Europa "assenta na democracia e na soberania e não num centro de poder opaco e arrogante, com as suas chantagens, imposições e sanções".

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