Jerusalém

Palestinianos em Lisboa apelam ao apoio dos portugueses contra Trump

Palestinianos em Lisboa apelam ao apoio dos portugueses contra Trump

Um grupo de palestinianos manifestou-se esta sexta-feira em Lisboa para pedir a solidariedade dos portugueses contra a decisão do presidente dos Estados Unidos em reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

"Estamos sempre a lutar e não vamos parar, pelo que chamamos o povo português para se solidarizar não só com a causa palestina como para estar contra a decisão do presidente norte-americano", disse Anan Tonja, um dos cerca de 50 palestinianos responsáveis pela manifestação realizada no Rossio, a que se associou o Comité de Solidariedade com a Palestina e que reuniu quase três centenas de pessoas.

Anan Tonja, que empunhava uma bandeira da Palestina, vincou que os palestinianos estão "a contar que os portugueses, que sempre apoiaram a causa palestiniana, se insurjam" contra a decisão de Donald Trump.

"Queremos uma Palestina livre. Estamos muito surpreendidos por Trump ter reconhecido Jerusalém como capital e os portugueses têm de estar também. Por que Trump não deu Nova Iorque ou Washington para Israel?", questionou Tonja.

Enquanto os manifestantes gritavam frases como "Palestina vencerá!" e "Assassino, assassino" (em referência a Trump), Anan Tonja afirmou que "ninguém vai aceitar" que Jerusalém seja capital de Israel e que a embaixada dos Estados Unidos se transfira para a parte ocidental daquela cidade.

"Nem árabes, nem muçulmanos, nem palestinianos - e também, nem os portugueses - devem aceitar esta decisão", defendeu.

O palestiniano considerou que Donald Trump tomou uma decisão que "prejudica o processo de paz" e provocou que "voltasse a intifada" no recrudescer da violência entre palestinianos e israelitas.

"Nós queremos paz, mas paz de uma forma justa. Estamos a trabalhar na paz para o Médio Oriente e Trump incendiou tudo. Isto é muito mau!", afirmou, acrescentando que o presidente dos Estados Unidos "está a matar o desejo de paz dos palestinianos de ter um Estado independente".

Outro dos promotores da manifestação, Manuel Afonso, defendeu que "Portugal deve fazer um boicote a Israel", em todos os níveis, porque, frisou, "os portugueses devem estar ao lado dos palestinianos contra os Estados Unidos".

Donald Trump anunciou no passado dia 6 que os Estados Unidos reconhecem Jerusalém como capital de Israel e que vão transferir a sua embaixada de Telavive para Jerusalém, contrariando a posição da ONU e dos países europeus, árabes e muçulmanos, assim como a linha diplomática seguida por Washington ao longo de décadas.

Os países com representação diplomática em Israel têm as embaixadas em Telavive, em conformidade com o princípio, consagrado em resoluções das Nações Unidas, de que o estatuto de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelitas e palestinianos.

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