Congresso PCP

João Ferreira ovacionado por atacar Marcelo mas teria sempre aplausos pelo que dissesse

João Ferreira ovacionado por atacar Marcelo mas teria sempre aplausos pelo que dissesse

O candidato presidencial João Ferreira acusou Marcelo de ter falhado aos portugueses nos momentos em que mais fazia falta a sua palavra e de não ser um homem "do povo", tendo arrancado três ovações no congresso do PCP na sua primeira intervenção. Porém, verdade seja dita, se o também eurodeputado e vereador em Lisboa tivesse falado da Europa ou da capital, os aplausos não teriam sido menores tal é o sinal que os delegados dão quanto ao futuro de Ferreira no PCP.

Se João Ferreira será escolhido como sucessor de Jerónimo de Sousa à frente do PCP, ao fim da tarde deste sábado, é ainda uma hipótese com um grau elevado de incerteza - os comunistas não são conhecidos por deixar transparecer decisões tão importantes, como esta.

Ao sentir o pulso ao XXI congresso, pelos 600 delegados presentes Ferreira sairia este sábado como novo líder dos comunistas, pelas ovações que brindaram a intervenção do candidato presidencial. Tal como, na sexta-feira, quando Jerónimo de Sousa na intervenção de abertura da reunião magna aludiu ao nome de João Ferreira. Mas já lá vamos, porque se trata de uma decisão do futuro Comité Central que ainda foi não eleito.

Em cinco minutos de intervenção, ao final da manhã deste sábado, João Ferreira optou por atacar Marcelo Rebelo de Sousa, tanto pela atuação do atual presidente da República, que, entre outras falhas, acabou por "degradar as condições de vida dos trabalhadores"; tanto por não ser um homem "do povo", apesar de se esforçar por passar essa imagem.

Segundo João Ferreira, em plena pandemia, Marcelo tem tido "uma ação que, num momento crítico como o que vivemos, contribuiu para fragilizar direitos, liberdades e garantias, intrínsecos ao regime democrático, algo que a emergência sanitária não justifica".

Sem nunca se referir às candidatas da Esquerda a Belém ou de outros que estão na corrida, à exceção do alerta sobre as "variantes demagógicas, populistas e assumidamente antidemocráticas" que também ambicionam chegar à Presidência, o comunista invocou várias falhas para que o atual chefe de Estado não renove o mandato - sendo que Marcelo ainda mantém o tabu quanto à sua recandidatura.

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De um conjunto de dez falhas, é a de ter feito, em parte, "letra morta nas páginas da Constituição" que João Ferreira começou por apontar a Marcelo.

Depois, o comunista argumentou que o chefe de Estado falhou em toda à linha: no que concerne à proteção de trabalhadores, ao reforço do Serviço Nacional de Saúde, aos jovens, aos idosos, à Cultura e até ao Interior, tendo aí relembrando que um gesto de Marcelo ​"​​​​​​só chegou depois da catástrofe [dos incêndios de 2017], faltando-lhe outra regularidade e consequência".

João Ferreira incluiu a sua candidatura na galeria daqueles que "o povo aclamou" em mudanças importantes da história nacional, como "Mestre de Avis, [que] resgatou do domínio espanhol a independência nacional".

No final, deixou o congresso de pé, o mesmo que irá votar ao final do dia a proposta de constituição do novo Comité Central. Será depois ao órgão máximo do partido a quem caberá escolher o secretariado - de onde sairá o novo líder ou uma renovação da confiança em Jerónimo de Sousa para mais quatro anos como secretário-geral do PCP.

Já as Presidenciais estão marcadas para 24 de janeiro de 2021.

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