Nacional

João Jardim acusa AR e ministro de ataque "reles e nojento" contra Madeira

João Jardim acusa AR e ministro de ataque "reles e nojento" contra Madeira

O líder do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, considerou que a Assembleia da República, "juntamente com o ministro das Finanças", quebrou o dever de isenção e procedeu a "uma sessão de campanha eleitoral" em véspera de eleições.

Num comício em Santa Cruz, Alberto João Jardim apontou esta como uma demonstração "da mediocridade em que caiu a República" Portuguesa.

"A 72 horas de eleições na Madeira, quando a lei portuguesa é clara que os órgãos de Estado não podem interferir nas eleições (...), quando a própria AR nas outras vezes até suspendeu trabalhos para não interferir em eleições, desta vez - o que mostra a má-fé do ataque que nos está a ser dirigido - a AR atreveu-se, indo contra a lei que ela própria havia feito, metendo-se o ministro das Finanças numa discussão que é eleitoralista", disse.

Para Jardim, o debate que teve lugar no Parlamento, quinta-feira, sobre a situação financeira na Madeira, no qual foram feitas críticas tanto à governação do PSD nesta região autónoma, torna claro "perante os estrangeiros" que [a República Portuguesa] "se serve dos seus órgãos de Estado", que "não tem crédito, porque um dos seus órgãos, o órgão parlamentar, juntamente com o ministro que tem que ser isento, procederam a uma sessão de campanha eleitoral".

Num discurso inflamado, na recta final da campanha eleitoral rumo às eleições de domingo, o líder social-democrata da Madeira começou por declarar não se lembrar em 37 anos de vida política de "um ataque tão reles, tão ordinário, tão nojento que mobilizasse tanta gente contra o povo madeirense" como o que aconteceu ao longo dos últimos dias.

"Foi tudo mobilizado: os partidos da oposição pelas sociedades secretas que mandam neles e controlam o mundo económico e financeiro de Lisboa, tudo o que tinham à mão (...) Tudo foi mobilizado num ataque feroz e nojento contra o povo madeirense (...) contra o nosso direito à diferença, a desenvolvermo-nos", disse.

Perante algumas centenas de apoiantes reunidos num recinto de Santa Cruz, Jardim declarou: "Eles não me podem ver porque eu desprezo-os. Desprezo tudo o que é medíocre e acho que a política da República Portuguesa hoje é medíocre".

Voltando a defender a opção que tomou pelo endividamento da região, Jardim assegurou ter sido sua a iniciativa de apresentar a verdade sobre a dívida directa e indirecta da região e contrapôs que, segundo o mesmo critério alegadamente usado para aferir a dívida da Madeira, Portugal tem uma dívida de 333 mil milhões de euros.

"A nossa dívida em relação à dívida do Estado português é 1,8 por cento do total. Somos 2,5 por cento da população, se calhar até devíamos ter feito mais dívida", retorquiu.

O recandidato a presidente do Governo regional deteve-se depois na questão da zona franca da Madeira, criticando o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, "o responsável pelas campanhas contra" o 'off-shore' madeirense.

"Nós demos uma lição de civismo e boa educação, porque o homem quer mandar dois mil madeirenses para o desemprego para fechar a zona franca da Madeira, até corria o risco de não ser bem tratado", comentou.

O também presidente do Governo regional da Madeira insurgiu-se ainda contra a possibilidade de Portugal prescindir da zona franca da Madeira, que constitui "0,5 por cento do PIB" [produto interno bruto] nacional, fazendo "um frete" a outros países europeus onde também existem regimes fiscais similares.

"Posso-vos adiantar que há importantes escritórios de Lisboa que estão a ganhar muita massa para levar as empresas daqui para outros sítios, nossos concorrentes", acusou.

Advertindo para as sondagens que serão publicadas até sexta-feira, Jardim pediu "uma maioria esmagadora" para os sociais-democratas na Madeira no domingo para "dar uma grande sova nos interesses que se movimentaram contra a Madeira".

Outras Notícias