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João Jardim diz que Portugal é um país descredibilizado com Estado decadente

João Jardim diz que Portugal é um país descredibilizado com Estado decadente

Alberto João Jardim afirmou, esta quinta-feira, que Portugal é um País "descredibilizado" e criticou o ministro das Finanças e a "pouca-vergonha" do "Estado decadente", que permitiu a realização de um debate parlamentar a 72 horas de umas eleições.

"Ainda hoje fez-se a pouca vergonha de um debate na Assembleia da República a 72 horas de eleições na Madeira. É mesmo não ter vergonha na cara. É mesmo um Estado decadente", declarou o cabeça da lista social-democrata às eleições legislativas regionais durante a inauguração de obras de remodelação de uma unidade hoteleira no concelho de Santa Cruz.

O presidente do governo regional salientou que "nunca em 30 e tal anos de democracia a Assembleia da República se intrometeu numa eleição e, mesmo em várias eleições, teve o cuidado até de suspender trabalhos para não levar o debate eleitoral para dentro da Assembleia da República".

Em S. Bento decorreu hoje um debate de actualidade requerido pelo PS sobre a situação financeira da Madeira.

Jardim argumentou que "agora estamos num Estado que tem de estar descredibilizado internacionalmente, em que o Parlamento da República se mete em debates eleitoraleiros e o próprio ministro das Finanças, com a responsabilidade internacional que tem, ele próprio se mete nesse mesmo debate".

O chefe do PSD/Madeira assegurou que "nunca ninguém o ouviu dizer que era solidário com o governo anterior ou com o actual governo de Portugal". Como disse: "Acho que as coisas iam mal, acho que as coisas continuam mal".

O governante madeirense acrescentou que "as estratégias que estão a ser seguidas não vão dinamizar a economia", censurando a "indisciplina do Estado", que não está a controlar a actuação da banca.

"Entendo que a banca tem de ser disciplinada, porque não vejo a banca aproveitar as oportunidades que a 'troika' oferece a esse sector. Vejo a banca a continuar a recusar o crédito aos investidores, grandes, médios ou pequenos dentro do mercado e não vejo Governo intervir na banca", afirmou.

Jardim disse ainda que constatava que "a economia não está a reagir", sendo que os bancos "não têm crédito interno para dar a empresas portuguesas, mas anunciam de semanas a semanas alguns investimentos no estrangeiro. Isto é sinal de indisciplina do Estado".

Depois de constatar que "o Estado está preocupado com a Madeira" comparou que a dívida da região, que tem 2,5 por cento da população de Portugal, é "1,8 por cento da despesa global do Estado português", quantificando a dívida do Estado em 333 mil milhões de euros.

"Estou arrependido de não ter feito mais dívida, para ficar igual", disse.

Garantiu que continua a ser "um opositor deste regime", frisando: "Podem contar que farei toda a força para que haja uma grande mudança em Portugal, porque eu não aceito isto".

Considerou ainda que "a mudança não é um paleio, nem o interesse e ambições de cada um a funcionar. São coisas muito sérias, transformações de fundo, que se têm de fazer para mudar o País e servir o bem comum".