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João Soares contra 25 de abril na AR: "Não admito que me chamem facho"

João Soares contra 25 de abril na AR: "Não admito que me chamem facho"

João Soares, antigo deputado do PS, discorda das comemorações do 25 de abril na Assembleia da República (AR). "Com todo o respeito por quem tem opinião contrária, acho um disparate. E previno já: não admito que me chamem facho", escreveu nas redes sociais​​​​​​.

Numa publicação no Facebook, o antigo presidente da Câmara de Lisboa lembrou que sempre foi um "indefetível" do 25 de abril e que, no dia da Revolução, em 1974, esteve no Largo do Carmo e conheceu pessoalmente Salgueiro Maia.

"Até já tive a honra e o prazer de falar, por duas vezes, em cerimónias do 25 de abril na AR. Pelo PS, claro. De que também sou um indefetível", escreveu o filho de Mário Soares, recordando o período em que foi deputado.

"Faço um apelo porque ainda há tempo. Revejam a decisão infeliz que tomaram e venham para as janelas e varandas de vossas casas, locais de trabalho, hospitais, cantar connosco a Grândola e A Portuguesa às 15 horas de 25 de abril de 2020. Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Viva o 25 de Abril", acrescentou.

João Soares também transcreveu um texto escrito por um amigo - dizendo subscrever aquela opinião - onde se lê que o facto de as cerimónias seguirem "o figurino utilizado em tempos normais" fez com que a AR pusesse "uma boa parte dos portugueses contra as comemorações do 25 de abril".

Cerimónia vai ter quase 600 pessoas a menos face a 2019

Recorde-se que as cerimónias do 25 de abril vão juntar 130 pessoas no Parlamento, entre deputados e convidados. Esta semana, o site oficial da AR emitiu uma nota recordando que, em 2019, houve 700 pessoas a marcar presença. A decisão de assinalar a data foi tomada em conferência de líderes, refletindo a vontade de PS, PSD, BE, PCP, PEV e do presidente da AR, Ferro Rodrigues.

Já depois de saber que a decisão estava a ser contestada nas redes sociais - há petições a favor e contra -, Ferro Rodrigues defendeu a manutenção da cerimónia do próximo sábado, com 77 parlamentares e 50 convidados.

"Mais do que em qualquer outro momento, o 25 de abril tem de ser e vai ser celebrado na AR. A AR não saiu do terreno da vida política democrática com a pandemia, o estado de emergência ou a pressão de saudosistas, antiparlamentares ou seguidores de 'fake news'", disse, numa declaração ao jornal Público.

O Parlamento, recorde-se, tem-se mantido em funcionamento desde o início da pandemia de Covid-19, embora com um número reduzido de deputados.

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