Iniciativa

Jovens de 10 países peregrinam até Fátima pelas alterações climáticas

Jovens de 10 países peregrinam até Fátima pelas alterações climáticas

Alertar para a "urgência da conversão ecológica" é um dos objetivos da iniciativa promovida pela Fundação Fé e Cooperação e pela associação Casa Velha.

Najia Pitter é professora primária em Munique, na Alemanha. Gonçalo Pessoa está a concluir o mestrado em Desenvolvimento e Educação Internacional. Por estes dias, rumaram a Ourém, mais concretamente à aldeia de Vale Travesse e à Casa Velha, uma associação que pretende ser "um espaço de desenvolvimento pessoal" através do contacto com a natureza.

Durante uma semana (chegaram na passada quarta-feira e ficarão até terça-feira, dia 3), irão refletir sobre a crise climática e sobre a "urgência de uma conservação ecológica", através de atividades como o cuidar da horta e da floresta da quinta, momentos de meditação e de partilha, palestras, música e leitura.

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Do programa, constava também uma caminhada até Fátima que se cumpriu este sábado. O JN encontrou o grupo a meio caminho, na pausa para almoço. Protegidos do sol quente pela sombra de carvalhos e sobreiros, perto da capela de Vale da Perra, partilharam salsichas vegetarianas, mantendo o regime alimentar seguido ao longo da semana.

"Tinha pensado chegar a Fátima e ir comer um hambúrguer, mas já não sei se me saberá bem. E eu que nunca tinha pensado ser vegetariano", confessa Gonçalo Pessoa, admitindo que esta pode não ser a única mudança trazida pela experiência.

Do "ativismo de sofá" à ação

Natural de Albufeira, mas a viver em Lisboa, o jovem assume-se como "um típico menino da cidade", que, até agora, "nunca tinha pegado numa enxada ou regado uma horta". Apesar de "interessado" nas questões do ambiente e preocupado com as alterações climáticas, confessa também ser "um ativista de sofá". "Acho que chegou a hora de passar à ação e de me envolver em projetos e iniciativas que possam ter algum impacto", admite.

"Iniciativas como este campo e como o trabalho da associação Casa Velha podem funcionar como ponto de partida para coisas melhores e para começar a mudar atitudes e comportamentos", salienta, por sua vez, Najia Pitter.

Com o grupo prestes a regressar à estrada - o Santuário de Fátima está ainda a sete quilómetros de distância -, a jovem alemã destaca o sentimento de "comunidade e de ligação" que se criou entre jovens "muito diferentes" entre si e de origens e formação também elas bastante diversas. "Como disse a Margarida Alvim [fundadora da Casa Velha], não temos de ter medo de ir para o mundo, quando pertencemos a um lugar", reforçou.

Com idades entre os 28 e os 35 anos e oriundos da Alemanha, Bélgica, Canadá, Eslováquia, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Portugal e Suíça, os 26 jovens são voluntários e colaboradores de organizações que integram a CIDSE - Rede Internacional de Organizações para o Desenvolvimento, da qual faz parte o Fundação Fé e Cooperação (FFC), uma das promotoras da iniciativa

"Com este campo, queremos dar aos jovens uma oportunidade de viverem ao ritmo da Terra, respeitando a individualidade de cada um e cuidando da nossa casa comum", explica Catarina António. A gestora de projetos da FFC sublinha que a iniciativa pretende ainda "deixar um apelo para a urgência da mudança de políticas que protejam o planeta e cuidem das pessoas" e para a necessidade de "uma reconversão ecológica".

"Tal como a caminhada, a mudança leva o seu tempo. É esse o exercício que nos propusemos fazer com a caminhada até Fátima", acrescenta Beatriz Lisboa, da Associação Casa Velha, referindo que a peregrinação é também "uma oferta pela reparação e reconciliação do mundo, seja nas guerras, seja na maneira como exploramos os recursos".

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