Economias alternativas

Jovens portugueses levam trocas de roupa ao Parlamento Europeu

Jovens portugueses levam trocas de roupa ao Parlamento Europeu

"O vestuário tem valor", é "necessário que nos "reconectemos com a roupa que temos e que precisamos", sem que a isso esteja associado um "valor monetário". Foi esta a mensagem que Catarina João Vieira, pertencente à Fashion Revolution Portugal, a organização sem fins lucrativos que promoveu a iniciativa "Swap Party", levou ao Parlamento Europeu.

Dez jovens portugueses, pertencentes a vários projetos, foram convidados a ir ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, discutir as economias alternativas, através da realização de um mercado de trocas de peças de roupa. Outras iniciativas semelhantes têm sido realizadas em Portugal por estes jovens, como foi o caso do "Swap", realizado no dia 25 de setembro no Selina Rooftop, em Lisboa.

A deslocação integrou a iniciativa "European Youth Event", que terminou no domingo. Os jovens e pessoas da comunidade europeia envolvidos no evento têm a oportunidade de trocar um certo número de peças de roupa com as quais já não se identificam, mas que estejam em bom estado por outras. Cada peça tem uma etiqueta que tem informações sobre a sua origem, de que material é composta e a quem pertenceu. As pessoas são assim incentivadas ao debate sobre a história das peças, incutindo-lhes valor material e emocional que parte da necessidade e não de um preço, segundo revelou Catarina João Vieira ao JN.

Cada vez se compra mais

O que os jovens pretendem demonstrar é que é possível uma economia circular no setor da moda. "Só vamos combater o sobre-consumo com estas alternativas ao modelo económico atual", disse. Na indústria da moda "não há necessidade de produzir e comprar tanto", temos "52 coleções em vez de 4", o que nos faz sentir "que cada vez temos de comprar mais". Mas ao "aumentar ao máximo o tempo de vida das roupas", reduz-se a probabilidade de irem "parar ao aterro", explicou Helena Oliveira, estudante do Porto, de 24 anos, uma das jovens integrantes do evento.

"As peças tornam-se obsoletas assim que chegam às lojas", reforçou a estudante Mariana Barata, de 22 anos. Face "ao aproximar de um possível desastre climático", os responsáveis políticos demonstram "passividade, como é o caso da União Europeia", afirmou.

É preciso "alterar a forma como produzimos roupa", disse Mariana Raposo, membro do grupo. As marcas de "fast fashion" reproduzem uma "ideia de sustentabilidade não fundamentada", o chamado "greenwashing". O objetivo é "pressionar a União Europeia para fazer a mudança junto das empresas", no sentido de "transformar e decrescer" a produção.

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