Vacinação

Jovens querem "voltar à vida normal e a vacina é um passo para isso"

Jovens querem "voltar à vida normal e a vacina é um passo para isso"

Pelo centro de vacinação de Gondomar deverão passar 640 jovens entre os 16 e os 17 anos, este domingo. A par destes autoagendamentos, os menores desta faixa etária podem ainda recorrer à modalidade de casa aberta.

No sábado, foram inoculados cerca de 2500 jovens, sendo que 2200 tinham realizado o seu agendamento e 300 recorreram à casa aberta. Recuperar o convívio com os amigos e familiares e contribuir para a imunidade de grupo são motivos de alívio.

Matilde e Beatriz Almeida não hesitaram em aceitar ser vacinadas contra a covid-19. Aliás, foram as irmãs gémeas, de 16 anos, que insistiram com os pais para serem inoculadas. Os progenitores tinham algum "receio" de possíveis efeitos adversos.

"Eu e a minha irmã sempre quisemos ser vacinadas. Queremos voltar à vida normal e a vacina é um passo para isso. Acredito que, com a vacina, estou mais protegida e vamos conseguir atingir a imunidade de grupo. Talvez, as máscaras comecem a ser tiradas e as medidas aliviadas", disse ao JN Matilde Almeida que, tranquilamente, aguardava pela indicação para deixar o recobro.

As irmãs foram inoculadas com a Pfizer, com poucos minutos de intervalo. Ambas consideram "importante" a vacinação dos jovens. Quer seja para recuperar o convívio com os amigos e familiares ou contribuir para a imunidade de grupo.

"Já estamos há demasiado tempo com covid e há muita coisa que mudou. Temos saudades das festas e de sair com os nossos amigos sem restrições. Este ano letivo, também foi mais cansativo. Mudámos de escola e não tivemos a experiência que as outras pessoas tiveram. Não foi mau, mas seria melhor sem covid. As restrições acabam por condicionar a nossa vida e a vacinação é importante porque nos vai proteger", referiu Beatriz Almeida, admitindo que a vacinação vai permitir ainda estar mais à vontade no contacto com os avós.

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À espera de ser vacinado, estava Gonçalo Sá, também de 16 anos. Devido a um problema de saúde, antes de tomar a decisão de ser inoculado, o pediatra foi consultado pelos pais. "O pediatra disse-nos que o melhor era tomar a vacina porque não teria impacto na minha doença", recordou o jovem.

"Tinha receio que pudesse correr mal, devido ao problema que tenho, mas também estava confiante. A vacina não traz totalmente imunidade contra a covid, mas é uma precaução. Acho que se todos formos vacinados, conseguimos afastar um pouco este vírus", relatou, confiante ainda que a vacinação terá impacto no regresso às aulas.

"Não vai haver tanto aquele regresso a casa, que é frustrante e atrapalha nos testes e no estudo", disse.

Ao contrário das irmãs Almeida e de Gonçalo Sá, Luísa Alves agendou a vacina. "Eu queria ser vacinada. Claro que há sempre o risco de efeitos secundários, mas isso é normal e acontece sempre. Não tinha qualquer medo. Mesmo vacinada, vou ter sempre cuidados, mas vou poder estar mais vezes com os meus amigos e com os meus avós", afirmou a jovem.

Luísa Alves está na lista de 640 jovens que, para este domingo, agendaram a sua vacina no Multiusos de Gondomar. A par dos autoagendamentos, os menores desta faixa etária podem ainda recorrer à modalidade de casa aberta, como fizeram as irmãs Almeida e Gonçalo Sá. No sábado, foram inoculados cerca de 2500 jovens, sendo que 2200 tinham realizado o seu agendamento e 300 recorreram à casa aberta. Para o presidente da Câmara de Gondomar, os números são "satisfatórios".

"Os jovens estão a dar um sinal de compromisso e cidadania para ajudar também que, rapidamente, isto passe. Muitos dos jovens com quem eu falei foram eles que disseram aos pais que queriam vir e isto é muito importante, o que também prova que eles estão informados e que a sociedade está muito preocupada com esta pandemia", referiu Marco Martins.

No concelho, há cerca de 4400 jovens entre os 16 e 17 anos inscritos nos centros de saúde. Cerca de 75% fizeram o autoagendamento e apenas 50 falharam, no sábado, à marcação. É "um número abaixo da média das faltas normais registadas" e o autarca recorda que os maiores de 16 anos têm a oportunidade de recorrer à modalidade de casa aberta durante a próxima semana.

Este fim de semana, para receber os jovens entre os 16 e 17 anos, o Multiusos de Gondomar adaptou-se. As bancadas foram ocupadas pelos pais para que pudessem, "tranquilamente", assistir à vacinação dos filhos. Desde a sala de espera até à sala de recobro.

"Aquilo que notámos muito é que, por vezes, os pais estão mais ansiosos que os próprios jovens. Algumas das preocupações era sobre como é que os filhos iam reagir às agulhas e se iam ter sintomas", justificou Marco Martins.

Miguel Rocha era um dos pais sentado na bancada do Multiusos. "Não hesitamos em vacinar o nosso filho. Eu e a minha esposa já fomos vacinados e, além disso, temos um filho de seis anos a quem foi diagnosticado diabetes e convém precavermo-nos. A vacina faz bem e todos deviam tomar", frisou.

O filho, Rafael Rocha, também se mostra a favor da vacinação. "A vacina protege-nos e ajuda-nos a proteger os nossos amigos e familiares. Em casa, durante a pandemia, tive de estar algum tempo longe do meu irmão porque ele é doente crónico", disse o jovem que tranquilizou alguns amigos que tinham "medo" de serem vacinados.

"Alguns colegas tinham medo das agulhas serem muito grandes, mas acho que todos aderiram bem a este processo de vacinação", contou.

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