Educação

Lançado manifesto pela democratização das escolas

Lançado manifesto pela democratização das escolas

Vinte e uma personalidades assinaram um manifesto pela revisão do modelo de gestão das escolas básicas e secundárias. O apelo deve ser convertido em petição para impor o debate no Parlamento.

João Jaime Pires, diretor do Liceu Camões (Lisboa) é um dos subscritores do "Manifesto pela Democracia nas Escolas". Assinou o documento, explicou ao JN, por defender que as escolas devem ter liberdade para escolher o seu modelo de gestão, unipessoal ou colegial, como anteriormente.

Em 2017 completam-se oito anos de vigência do atual modelo e será ano de eleição de novos diretores. "É, por isso, um bom momento" para se refletir, insiste João Jaime Pires. O diretor do Liceu Camões alerta que nos próximos concursos se podem candidatar pessoas externas às escolas, não docentes, de qualquer ponto do país que tenham formação em administração educativa. "Muitos diretores em função não têm o curso e podem ficar automaticamente excluídos das eleições", independentemente dos anos de experiência que tenham à frente das escolas e da vontade dos professores.

"Apesar dos princípios consagrados na Lei de Bases do Sistema Educativo, assistimos a uma crescente desvalorização da cultura democrática nas escolas e à anulação da participação coletiva dos professores, dos alunos e da comunidade educativa. Verifica-se, pelo contrário, uma tendência para a sobrevalorização da figura do diretor de escola, sendo ao mesmo tempo, subalternizado o papel de todos os outros órgãos pedagógicos", lê-se no Manifesto a que o JN teve acesso.

Lurdes Figueiral, presidente da Associação de Professores de Matemática (APM) é outra subscritora. "O que se pretende é um amplo debate por um modelo de gestão alternativo", defende ao JN, insistindo que devem ser analisados "os fatores que vão minando e desgastando a cultura de participação democrática nas escolas".

O conselho pedagógico, por exemplo, insiste João Jaime Pires, tornou-se num órgão consultor do diretor e, no entanto, "é o órgão mais importante, é o pulsar da escola. Todo o plano de atividades passa pelo conselho pedagógico". "O diretor deve ser o coordenador de um grupo de trabalho".

Os escritores Jacinto Lucas Pires, Inês Pedrosa ou Alexandra Lucas Coelho, a deputada do BE Joana Mortágua, a antiga secretária de Estado da Educação Ana Benavente, a antiga diretora da Secundária Infanta D. Maria (Coimbra) Maria do Rosário Gama ou o presidente da Associação Nacional de Professores de Educação Especial, David Rodrigues, são outros subscritores.

Outros Artigos Recomendados