Pandemia

Lares rejeitam voluntários por falta de formação

Lares rejeitam voluntários por falta de formação

Uma boa parte dos lares não está a aceitar os voluntários que se disponibilizam para ajudar nos cuidados aos idosos, ao mesmo tempo que tentam contratar profissionais.

O motivo é a falta de experiência e de cobertura de seguro de quem nunca exerceu a profissão, ainda mais numa altura em que todos os cuidados são poucos.

Há uma semana, vendo só cinco funcionárias para 48 utentes, quase todos infetados, a diretora do Centro Social e Paroquial de Oliveira do Douro, Gaia, Paula Azevedo, teve que se socorrer de empresas de prestação de serviços. Foram contratados mais de cinco enfermeiros, ajudantes da ação direta e um médico.

A instituição tinha recebido quatro voluntários do Instituto de Emprego e Formação Profissional, mas desistiu "por não terem experiência". "Com tanta gente infetada, não era aceitável recebermos voluntários que não estavam habituados a lidar com idosos", disse Paula Azevedo, para quem "foi muito difícil encontrar profissionais, mesmo a pagar acima da média".

Sites de emprego

A falta de mão de obra para geriatria é um problema confirmado pelos sites de ofertas de empregos. Todos os dias há cerca de 20 anúncios novos nos portais mais procurados, referentes a lares que procuram profissionais com experiência do Norte ao Sul do país.

"Ultimamente não temos recebido currículos", lamenta Amélia Silva, uma das diretoras do Centro de Repouso e Lazer Fonte Serrã, em Santarém, que procura duas funcionárias. Para esta instituição, o recurso a voluntários está fora de hipótese pois "não sabem fazer o trabalho" e "não adianta investir na formação de um voluntário que depois vai embora". Além disso, um voluntário traz outros riscos, pois "pode haver um contágio ou um acidente de trabalho e a pessoa não está coberta".

Esta semana, o Governo anunciou que a plataforma "Cuida de Todos", que visa angariar voluntários para dar apoio aos idosos que vivem nos lares, já reuniu mais de 3000 inscrições. Contudo, o padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, constata que faltam enfermeiros e médicos. "Muitas instituições viram-se privadas deles porque foram requisitados", explica.

Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, também reconhece a falta de profissionais de saúde para contratar ou voluntários com experiência, mas diz que a Cruz Vermelha tem ajudado a colmatar algumas situações.

Nova vítima em Aveiro

O Lar da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro registou mais uma morte, elevando para 22 o número de óbitos associados à Covid-19. Trata-se de um homem de 84 anos que morreu na madrugada de ontem.

Nove infetados

Sete utentes e duas funcionárias da Misericórdia de Vinhais testaram positivo a Covid-19 confirmou ao JN o provedor da instituição, António Alberto Rodrigues.

Cinco mortes

O Centro Social e Paroquial de Alfena, em Valongo, admite que houve já cinco mortes por Covid-19 no polo 1 da estrutura residencial para idosos. Os utentes e funcionários já foram testados no dia 8, mas ainda não são ainda conhecidos os resultados de 11 testes.

47 casos em Alverca

O diretor da Associação de Assistência e Beneficência da Misericórdia de Alverca disse ontem que há 47 casos positivos no lar e que o espaço deverá ser evacuado.

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