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Líder do CDS diz que é preciso "virar a página dos donos disto tudo"

Líder do CDS diz que é preciso "virar a página dos donos disto tudo"

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, defendeu esta quarta-feira que Portugal tem de "virar a página dos 'donos disto tudo'" e fazer cair um "sistema viciado", com uma "nova atitude ética".

"Portugal tem de virar a página dos donos disto tudo de uma vez por todas, seja no mundo das finanças ou da política, porque os portugueses já pagaram muito caro por isso", afirmou, em reação à acusação do Ministério Público a 18 pessoas e sete empresas no processo Banco Espírito Santo/Universo Espírito Santo.

O dirigente centrista falava, em declarações à Lusa, por telefone, a partir da ilha das Flores, nos Açores, onde participou nas jornadas parlamentares do CDS-PP/Açores.

Segundo Francisco Rodrigues dos Santos, Portugal precisa de "novos protagonistas", de "recompor o elevador social", dando lugar ao mérito, e de "uma mão firme da justiça e uma supervisão que seja implacável".

"A única forma que eu vejo de salvar o país desta névoa de promiscuidade entre a política e os negócios é fazer cair este sistema viciado, com uma nova atitude ética", frisou.

O líder centrista elogiou ainda o papel do ex-primeiro-ministro e ex-líder do PSD, Pedro Passos Coelho, neste processo.

"Não posso deixar de homenagear hoje Passos Coelho, por ter dito que não ao dono disto tudo. Pelos vistos, o tempo veio mostrar que tinha razão e o CDS está cá para dar continuidade a esta limpeza que é necessária fazer ao nível ético na gestão da coisa pública e dos negócios privados", apontou.

Francisco Rodrigues dos Santos salientou que "ainda este ano foram injetados mais 850 milhões de euros para o Novo Banco", alegando que esse montante podia "ter salvado muitas empresas e postos de trabalho" e que nesta crise provocada pela covid-19 "está a fazer falta à economia real e à recapitalização das empresas".

O Ministério Público acusou na terça-feira 18 pessoas e sete empresas por vários crimes económico-financeiros e algumas das quais por associação criminosa, no processo Banco Espírito Santo/Universo Espírito Santo, em que a figura central é o ex-banqueiro Ricardo Salgado.

Segundo adianta uma nota da Procuradoria Geral da República (PGR), foi deduzida acusação por associação criminosa e por corrupção ativa e passiva no setor privado, de falsificação de documentos, de infidelidade, de manipulação de mercado, de branqueamento e de burla qualificada contra direitos patrimoniais de pessoas singulares e coletivas.

Em causa nesta investigação, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), "está um valor superior a onze mil e oitocentos milhões de euros", em consequência dos crimes imputados, e prejuízos causados.

Além de Ricardo Salgado são também arguidos neste processo Amílcar Morais Pires e Isabel Almeida, antigos administradores do BES, entre outros.

O ex-presidente do BES Ricardo Salgado foi acusado de 65 crimes, incluindo associação criminosa, corrupção ativa no setor privado, burla qualificada, branqueamento de capitais e fraude fiscal, no processo BES/GES.

Segundo a acusação, a que a agência Lusa teve acesso, Ricardo Salgado foi acusado de um crime de associação criminosa, em coautoria com outros 11 arguidos, incluindo os antigos administradores do BES Amílcar Pires e Isabel Almeida.

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