Porto

Líder do CDS diz que PSD pode transformar-se no "Partido Toranja"

Líder do CDS diz que PSD pode transformar-se no "Partido Toranja"

Francisco Rodrigues dos Santos esteve no Porto, num encontro que evocou o cerco aos militantes durante o primeiro congresso do partido, em 1975, no Palácio de Cristal.

O líder centrista, Francisco Rodrigues dos Santos, afirmou na noite desta quarta-feira que se o CDS não sair fortalecido nas eleições de domingo, o PSD irá transformar-se no "Partido Toranja: cor de laranja por fora mas vermelho por dentro". Ou, então, que haverá uma "torta de laranja no Governo". Afirmações deixadas na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, a dois passos do local onde, na noite de 25 para 26 de janeiro de 1975, manifestantes da extrema-esquerda cercaram os militantes que se reuniam no primeiro congresso do CDS.

Francisco Rodrigues dos Santos falava a propósito das sondagens e do conceito de voto útil em Portugal, que, pelas suas palavras, "morreu em 2015". Considerando que votar no PSD significa que "os votos vão parar ao bolso de António Costa", acrescentou que "nenhum voto no CDS será desperdiçado".

Ao longo do encontro, que no início contou com a presença de Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto já no terceiro mandato (e sempre apoiado pelos centristas), foram várias as referências ao valor da vida e à dignidade da pessoa humana. Mas foram para António Costa e para o socialismo que o líder do CDS dirigiu os ataques mais ferozes, sem, contudo, deixar de criticar o populismo e os extremismos.

Sempre com o cerco ao então Palácio de Cristal na memória, o líder do CDS referiu-se a vários "ataques" de que o partido foi alvo ao longo da história da democracia portuguesa, incluindo o acidente de Camarate, em que o então ministro e dirigente centrista Adelino Amaro da Costa perdeu a vida (juntamente com Francisco Sá Carneiro, na altura primeiro-ministro). Tudo isso para dizer que, se nem esses acontecimentos deitaram o partido abaixo, "não era agora que o CDS iria perder a sua voz".

"Libertar Portugal do socialismo" foi a maior bandeira que o dirigente centrista ergueu ao longo da intervenção. Culpou os governos de António Costa por Portugal ter "a maior carga fiscal de sempre" e acusou o primeiro-ministro de ser um "repelente à economia privada". Aliviar o IRC e o IRS, criar incentivos à natalidade e, ainda, apoiar os idosos e os ex-combatentes foram algumas das promessas.

Francisco Rodrigues dos Santos recuperou nesta noite a intenção de trasladar para Portugal os cerca de três mil combatentes sepultados nas terras do Ultramar, caso seja parte de uma solução governativa e assuma o cargo de ministro da Defesa. Renovar as forças armadas está também entre as suas prioridades.

PUB

Rui Moreira marcou presença no encontro para agradecer ao partido. "Não posso esquecer que o CDS foi a única força política que apoiou as minhas três candidaturas à Câmara Municipal do Porto", referiu. E logo acrescentou que na terceira vez esse apoio foi "mais difícil", porque sobre ele pendiam o que classificou como "suspeitas e calúnias", numa alusão ao processo Selminho, de que foi absolvido na passada sexta-feira.

A propósito do cerco aos centristas de há 47 anos, o autarca disse que há uma "página dupla" na história do Porto: de um lado, uma "página vergonhosa"; do outro, uma "página gloriosa", a dos que "ficaram dentro [do Palácio de Cristal] e ganharam" contra os que "ficaram fora e perderam". Não se esqueceu de mencionar a figura de Adelino Amaro da Costa, que apareceu, como outros dirigentes, num vídeo exibido na Biblioteca Almeida Garrett a propósito do acontecimento que motivou o encontro desta quarta-feira.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG