Política

Líder do PSD Lisboa critica aproximação de Rui Rio ao Chega

Líder do PSD Lisboa critica aproximação de Rui Rio ao Chega

O líder do PSD Lisboa criticou, esta quinta-feira, o "racismo" e os "discursos de ódio" na sociedade portuguesa, no rescaldo das ameaças de um grupo de extrema-direita a deputadas e ativistas anti-racistas. Luís Newton considerou "inaceitável" que o PSD esteja "refém da extrema-direita", numa alusão ao facto de Rui Rio ter admitido acordos com o Chega.

"Condeno o racismo, a xenofobia e todas as formas de exclusão em todas as suas vertentes. Não podemos permitir que no nosso país se propaguem discursos de ódio e manifestações como as que vimos no sábado em Lisboa, à porta da SOS Racismo", defendeu o presidente da concelhia do PSD Lisboa, numa nota enviada à imprensa.

Sem nunca se referir diretamente a Rui Rio, Luís Newton distanciou-se da posição assumida pelo líder do PSD, que admitiu recentemente, em entrevista à RTP, vir a "conversar" com o Chega caso o partido de André Ventura assuma uma "posição mais moderada". "Se considero inaceitável que o PS esteja refém da extrema-esquerda, também não poderei aceitar que o PSD esteja refém da extrema-direita", disse Newton.

Para o líder da concelhia social-democrata da capital, "o partido fundado por Sá Carneiro jamais em momento algum poderá alimentar sequer a ideia de normalizar estes discursos. Não podemos construir a democracia com quem nela não acredita".

"O PSD é um partido que sempre teve como valores não negociáveis o respeito pela Democracia, pela diferença, pela pluralidade e pela dignidade humana. Nunca poderá aceitar ou compactuar com propostas políticas que ponham em causa estes valores", sustentou Luís Newton.

Opositor interno diz que Rio namora partidos "de inspiração totalitária"

Pedro Duarte, antigo líder da JSD e ex-dirigente do PSD, também teceu duras críticas à estratégia de Rio. Em declarações ao Expresso, no sábado, argumentou que o partido em que milita está "a abrir a porta a entendimentos com partidos anti-sistema, de inspiração nacionalista e totalitária".

Num artigo de opinião publicado no semanário, intitulado "O PSD ainda existe?", o antigo mandatário de Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais defendeu que o atual líder do PSD está a transformar o partido no "Partido do Rui Rio" (PRR) e foi muito crítico das suas opções: "O PRR é um partido inócuo, que espera que o poder lhe caia no colo e que, assim, se arrisca a viver dependente do socialismo ou da extrema-direita emergente", escreveu.

O PSD não reagiu, para já, às ameaças sofridas por elementos anti-racistas nos últimos dias. Em junho, a propósito das manifestações contra o racismo em Portugal - no rescaldo da morte de George Floyd, nos EUA, às mãos da polícia -, Rui Rio negou a existência desse problema no país. "Ainda ficamos é racistas com tanta manifestação antirracista, não noto isso na sociedade portuguesa, não há racismo na sociedade portuguesa", disse na altura.

Esta quarta-feira, um grupo fascista autodenominado "Nova Ordem de Avis - Resistência Nacional" ameaçou, por escrito, três deputadas e vários ativistas anti-racistas, dando-lhes 48 horas para saírem de Portugal. Mariana Mortágua e Beatriz Gomes Dias, do Bloco de Esquerda, e Joacine Katar Moreira, deputada não inscrita, constavam numa lista que também incluía vários outros ativistas conotados com a Esquerda.

Na noite de sábado, cerca de 20 elementos do mesmo grupo tinham-se concentrado à porta da SOS Racismo, em Lisboa, munidos de tochas e com máscaras a tapar-lhes a totalidade do rosto. Em julho, as paredes do prédio onde a organização está sediada foram vandalizados com a inscrição "Guerra aos inimigos do meu país".

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