Pandemia

Linha Vida recebe cada vez mais pedidos de ajuda sobre vício do jogo

Linha Vida recebe cada vez mais pedidos de ajuda sobre vício do jogo

A Linha Vida, de apoio telefónico a pessoas com dependências, que estava "em perda de importância", teve devido à pandemia um reforço de meios e horários e atende agora dezenas de chamadas diárias, muitas sobre o vício do jogo.

O diretor do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), João Goulão, anunciou esta sexta-feira, na conferência de imprensa diária da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a evolução da pandemia de Covid-19, o reforço da Linha Vida 1414, "a linha mais antiga de ajuda telefónica em Portugal", e que tem agora quatro profissionais dedicados ao atendimento.

"Nas condições atuais achámos útil voltar a alargar a sua capacidade de resposta. As perguntas que têm sido colocadas têm sido colocadas quer por utilizadores de substâncias, lícitas ou ilícitas - álcool, outras substâncias -, quer pedindo informação sobre quais as respostas disponíveis nas circunstâncias atuais, mas também, com importância crescente, questões colocadas a propósito do jogo, nomeadamente do acesso a plataformas online de jogo a dinheiro. Isto tem vindo a tomar progressivamente mais importância", disse João Goulão.

O diretor do SICAD referiu que "o número de chamadas é ainda bastante baixo", estando "na ordem das dezenas por dia", mas na linha criada para ajudar pessoas com dependências, as suas famílias e profissionais de saúde que lidam com os casos "nota-se um acréscimo paulatino do aumento da procura", que considerou "adequado ao momento" que se vive.

João Goulão referiu ainda que um protocolo assinado com a Fundação Calouste Gulbenkian permitiu assegurar "uma boa fatia" dos reforços aos contratos de apoio financeiro com as organizações não-governamentais (ONG) de todo o país que trabalham nas áreas de redução de riscos e minimização de danos e na reinserção nas áreas das dependências.

"Foi celebrado um protocolo pelo qual a Fundação atribui a estas entidades, por intermédio do SICAD, uma verba de 300 mil euros, que nesta altura é francamente indispensável para que possamos assegurar este alargamento", disse João Goulão, referindo ainda que há outras entidades como laboratórios e farmacêuticas que estão a financiar diretamente o trabalho das ONG, sem mediação do SICAD ou do Estado.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, o SICAD adiantou ainda que a verba, disponibilizada pela Fundação Calouste Gulbenkian ao abrigo do Fundo de Emergência Covid-19, vai financiar 40 projetos distribuídos pelo país, sendo dirigido ao "reforço imediato em encargos com pessoal, comunicações, equipamentos médicos e de proteção individual, material de consumo clínico, equipamento informático, bens alimentares, entre outros".

João Goulão destacou o trabalho das ONG e da capacidade de adaptação e inovação nas soluções para responder a novos problemas, referindo que há equipas de rua que neste momento contornam o encerramento de balneários públicos, muito usados pelas populações mais vulneráveis, como os sem-abrigo, transportando agora jerricãs com água e sabão para garantir que mesmo os mais vulneráveis não deixam de poder higienizar as mãos, seguindo as recomendações das autoridades.

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