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Lisboa e Vale do Tejo perdeu 154 médicos de família este ano

Lisboa e Vale do Tejo perdeu 154 médicos de família este ano

Em agosto, eram já 745 mil os utentes sem clínico atribuído. Continuam a reformar-se mais médicos do que os que entram na região.

O número de utentes sem médico de família atribuído nos centros de saúde da esfera da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS LVT) aumentou em 21%, contando-se, em agosto deste ano face a período homólogo do ano passado, um total de 745 mil sem clínico. Sendo que, explicou nesta manhã o presidente daquela ARS, Luís Pisco, "entre janeiro e agosto saíram 154 médicos", dos quais "92 reformaram-se e 45 rescindiram o contrato". Sabendo-se que nos próximos dois anos deverão aposentar-se mais 200 clínicos.

Luís Pisco foi esta manhã ouvido no Parlamento, a pedido do Bloco de Esquerda, sobre a falta de médicos de família na região. Com foco nas saídas, nomeadamente via aposentação. "Entre 2009 e 2019, entraram 1013 médicos de família e saíram 1355". Numa perda total de 342 médicos, com impacto maior no ano de 2014, com 196 saídas e apenas 53 entradas. Um problema, reconhece, que sucede também em países como o Canadá - "extremas dificuldades em ter mais médicos de família" - ou França - "contratam médicos em Portugal".

Acresce que, por via dos fluxos migratórios, Lisboa continua a ser dos poucos concelhos a ganhar população, como os últimos Censos demonstram. De acordo com dados do Portal da Transparência do SNS, o número de utentes inscritos aumentou 2% - mais 92 mil. Contudo, o de utentes sem médico de família agravou-se em 21%. A pandemia, sublinhou, não ajudou.

Face aos dados, os deputados questionaram o presidente da ARS LVT sobre a capacidade formativa da região e a baixa atratividade da mesma. Isto porque, no último concurso, vincou a deputada do PSD Sandra Pereira, "mais de metade das vagas ficou por preencher". Segundo Luís Pisco, "a especialidade tem-se tornado cada vez mais difícil, com uma população muito envelhecida e com casos cada vez mais complexos, afastando possíveis candidatos".

Por outro lado, adiantou, "neste ano não tivemos colegas do Norte do país a concorrer às vagas, o que fez com que a taxa de ocupação fosse muito inferior a 60%". A falta de flexibilização na contratação e o custo de vida em LVT são, ainda, fatores a ter em conta.

O presidente da ARS LVT precisou ainda aos deputados "terem sido construídos mais de 50 centros de saúde nos últimos anos, em extraordinária colaboração com as autarquias, estando previstos mais 14, nomeadamente na cidade de Lisboa". Com a pressão a manter-se sobre os recursos humanos: ""Nos próximos dois anos teremos cerca de 100 médicos de família a reformarem-se ao ano em LVT, o que é bastante".

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Luís Pisco sublinhou, ainda, que apesar do agravamento do número de utentes sem clínico atribuído, a ARS tem conseguido contratar grande parte dos médicos que se aposentam, num horário de trabalho mais reduzido, além de contar com "muitas horas contratadas com empresas". Adiantando ainda estar em vigor um "protocolo com algumas misericórdias no sentido de contratar prestação de serviços, sobretudo na área da doença aguda para se conseguir consulta no próprio dia". Atualmente, revelou, "estão mais de 800 médicos de família em formação em Lisboa".

Relativamente ao programa de incentivos financeiros criado pelo Ministério da Saúde há meio ano para recuperar consultas presenciais à noite e ao sábado, o presidente da ARS LVT explicou que o programa arrancou no passado mês, tendo concorrido "cinco dos 15 Agrupamentos de Centros de Saúde, num total de 15 equipas". Não adiantando números de atividade recuperada, o responsável referiu que o foco está, sobretudo, na recuperação de "rastreios oncológicos, como o colo do útero e o colon-retal".

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