Relatório

Lisboa e Viana com mais mortes na estrada

Lisboa e Viana com mais mortes na estrada

Portugal registou mais 16 mil infrações por excesso de velocidade durante o estado de emergência, apesar de ter existido menor fiscalização.

Os distritos de Lisboa e Viana do Castelo foram os únicos a registar um aumento de mortes nas estradas durante os primeiros quatro meses deste ano, face ao período homólogo de 2019. O relatório de Sinistralidade e Fiscalização Rodoviária relativo ao primeiro quadrimestre de 2020, ontem divulgado, revela ainda que as infrações por excesso de velocidade foram as únicas a subir durante o estado de emergência, quase mais 16 mil.

O documento da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) revela que no primeiro quadrimestre de 2020 se registaram 7620 acidentes com vítimas em Portugal continental, menos 3111 (29%) do que em igual período de 2019. A quebra foi observada em todos os distritos, mas no de Lisboa e no de Viana de Castelo o número de mortes não acompanhou a tendência. Lisboa registou mais oito mortes (19 no total) e Viana do Castelo mais três (cinco no total). Já o distrito de Braga foi onde houve a maior redução em termos absolutos, menos onze mortes (68,8%), ficando-se pelas cinco. No país, houve menos 51 vítimas mortais (34,2%), menos 173 feridos graves (26,9%) e menos 3972 feridos leves (30,7%).

Recuo nos indicadores

A quebra da sinistralidade no país foi acentuada em todos os indicadores, de 19 de março a 30 de abril, quando vigorava o estado de emergência, face a igual período de 2019. Houve menos 2677 sinistros na estrada com vítimas (69,1%), observando-se 1198 no total. Por consequência, houve menos 59,2% de vítimas mortais, menos 61,5% de feridos graves e menos 72,5% de feridos leves. O mesmo é dizer que se registaram 20 vítimas mortais, 82 feridos graves e 1298 ligeiros. A maioria das mortes deveu-se a despistes (50%).

Durante os mesmos dias, houve ainda 88.169 infrações por excesso de velocidade, mais 15.985 (22,1%) do que em igual período de 2019, apesar de haver menos cerca de dois milhões de veículos controlados por radar pela PSP, GNR e ANSR. Em todas as outras situações houve reduções, algumas das quais superiores a 80%, como nos casos de condução sob o efeito de álcool, ao telemóvel e sem cinto de segurança.

A quebra da sinistralidade no primeiro quadrimestre decorre "naturalmente da diminuição no tráfego resultante da declaração de estado de emergência" e "veio acentuar a tendência de redução" já verificada entre 1 de janeiro e 18 de março, quando se registaram menos 438 sinistros com vítimas, salienta o relatório.

Maior sinistralidade

Nos primeiros quatro meses de 2020, o distrito de Lisboa teve menos 840 acidentes com vítimas (31,8%), registando 1805 casos. No Porto, onde a sinistralidade ocupa a segunda posição no país, a quebra foi de 27,7% (menos 532 acidentes), para 1389.

Controlo

De 19 de março a 30 de abril de 2020, foram fiscalizados cerca de 8,7 milhões de veículos, menos 17,6% do que em igual período de 2019. Comparando só os primeiros quatro meses, o aumento foi de 38,8%, para 38,7 milhões.

Mortes

Das vítimas mortais em 2020, 59,2% eram condutores, 23,5% peões e 17,3% passageiros.