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Listas do CDS a Lisboa causam chuva de críticas

Listas do CDS a Lisboa causam chuva de críticas

Várias personalidades do CDS acusaram, esta quinta-feira, a direção do partido de promover saneamentos, devido à exclusão de um dos vereadores na Câmara de Lisboa, João Gonçalves Pereira, das listas da capital. E até Isabel Galriça Neto, a cabeça de lista indicada pelo partido para a Assembleia Municipal, disse "não pactuar" com as decisões da direção.

As críticas mais recentes vieram do deputado João Almeida, bem como os antigos parlamentares Adolfo Mesquita Nunes e Pedro Mota Soares. No espaço de poucas horas, os três recorreram às redes sociais para apontar baterias à direção nacional, liderada por Francisco Rodrigues dos Santos, acusando-o de "sanear" um crítico interno.

"O João Gonçalves Pereira não merecia esta vingança cobarde", escreveu João Almeida nas redes sociais. "O Carlos Moedas, que prezo e é um ótimo candidato, também não merecia este péssimo serviço prestado pelo CDS", acrescentou.

O atual candidato à Câmara de São João da Madeira terminou o texto com ironia: na lista que encabeça, "os candidatos do CDS foram todos escolhidos pela respetiva concelhia", referiu.

Adolfo Mesquita Nunes, antigo vice-presidente do CDS, que desafiou 'Chicão' (e perdeu) no Conselho Nacional de fevereiro, considerou que Gonçalves Pereira é "um nome essencial para o papel que o CDS tem hoje em Lisboa", já que foi o vereador "que mais se opôs e mais propôs".

"Num partido que valoriza as bases, veta-se não um, mas vários!, dos nomes que as estruturas locais propuseram. Num partido que valoriza o trabalho, veta-se quem trabalhou e deu a cara pelo CDS em Lisboa", realçou Mesquita Nunes.

"O Carlos Moedas, que é um excelente candidato, merecia mais: merecia que o CDS não tivesse saneado alguns dos seus melhores, dos que mais conhecem o terreno, dos que mais trabalharam por Lisboa. E o CDS Lisboa, que todos os dias de há muitos anos para cá vai construindo alternativa e partido, merecia mais consideração e respeito", concluiu.

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Cabeça de lista contra a forma de liderar

Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade no Governo de Passos Coelho, alinhou pelo mesmo diapasão: "O João Gonçalves Pereira é só o melhor vereador da CML", escreveu, no Facebook.

"Uma lista do CDS sem a presença do João é uma lista mais pobre", prosseguiu o antigo deputado. "Promover o mérito, a sensibilidade social, a capacidade de trabalho e o conhecimento dos dossier podia ser um lema do CDS. Com esta exclusão fizeram exatamente o seu contrário".

Na quarta-feira, também a cabeça de lista indicada pela direção do CDS para a Assembleia Municipal de Lisboa na lista de Carlos Moedas (ainda não formalizada) lançou uma farpa ao trabalho de Rodrigues dos Santos. "Não pactuo com esta forma de estar e de pretensamente liderar. Triste...", escreveu, num comentário 'online' a uma publicação de um militante.

Num outro comentário, Galriça acrescentou que não iria tecer mais considerações, por não querer "aumentar a beligerância" no partido nem "desgastar a imagem do CDS".

Contactado pelo JN, João Gonçalves Pereira preferiu manter-se, para já, em silêncio. No entanto, deu conta da intenção de comentar a sua exclusão das listas até ao fim desta semana.

Nuno Melo, eurodeputado do CDS, já anunciou que irá apresentar uma moção ao congresso do início do próximo ano, não excluindo concorrer à liderança do partido.

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