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Lítio é "absolutamente fundamental" para o futuro, diz ministro do Ambiente

Lítio é "absolutamente fundamental" para o futuro, diz ministro do Ambiente

João Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Ação Climática, disse esta quarta-feira, que o lítio é "absolutamente fundamental para a transição energética" que o Governo pretende impulsionar.

No debate sobre o programa do Governo, no Parlamento, o ministro garantiu, contudo, que "não haverá exploração sem haver avaliação de impacto ambiental".

O ministro considerou ainda que o polémico processo de concessão da exploração de lítio em Montalegre, atribuído a uma empresa criada três dias antes e, alegadamente, com ligações a membros do Governo, é "absolutamente claro". Matos Fernandes lembrou, aliás, que quem atribuiu a concessão foi o Governo PSD/CDS - "é um facto", acrescentou - e defendeu ser "óbvio que a lei foi cumprida com todo o rigor".

Ministro da Economia aposta na inovação

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Energética, Pedro Siza Vieira - que também fez uma intervenção no primeiro dia do debate do programa do Governo - disse que "as alterações que a digitalização e a automação irão trazer às sociedades e às empresas não podem ser subestimados", considerando que as empresas e países que se preparem para os desafios da transformação digital "vão crescer e prosperar". Siza Vieira garantiu ao Parlamento que o Governo se comprometeu com a "valorização dos rendimentos do trabalho" - uma questão que diz ser "justa, possível e necessária", até porque, assegura, "valorização do trabalho e competitividade não estão em conflito".

O ministro da Economia propôs também cinco eixos programáticos para os próximos quatro anos: são eles "acelerar o ritmo do investimento público em áreas críticas" como a ferrovia e a rede rodoviária; "usar instrumentos financeiros públicos para apoiar o investimento empresarial"; "criar um quadro estável que facilite e apoie o investimento empresarial", nomeadamente ao procurar "que não haja agravamento fiscal sobre as empresas; "promover, no quadro da Concertação Social, um acordo estratégico sobre a reforma da formação profissional"; "apoiar os centros de interface tecnológico".

Siza apontou, ainda, aquele que considera ser "o caminho do futuro": segundo este membro do Governo, o grande desafio que Portugal vai ter de enfrentar é, "com os mesmos recursos, produzir mais. E isso vem da inovação", considerou.

Número de vítimas de violência doméstica é "horrível"

Já a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, vincou a importância da imigração como forma de resolver, no curto prazo, o problema demográfico, mostrando também disponibilidade para desburocratizar o processo de acolhimento aos novos imigrantes.

No que diz respeito à questão da violência doméstica, suscitada no debate por vários grupos parlamentares, considerou os números "impressionantes e horríveis, não há outras palavras" (já morreram 31 mulheres em Portugal desde o início deste ano). No entanto, diz que o Governo apenas assume parte da responsabilidade nessa matéria: "Trata-se de um problema da sociedade", referiu.