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Locais-chave do 25 de Abril entre a memória e o esquecimento

Locais-chave do 25 de Abril entre a memória e o esquecimento

Quem passa no Largo do Carmo, hoje uma praça pacata ladeada de restaurantes e espaços antigos resgatados por jovens, no coração de Lisboa, já não sabe ou quer perceber o que se passou ali há 47 anos. "Os anos vão passando e perde-se o interesse. Há uns anos quem vinha tomar café fazia perguntas, agora já não. Os mais jovens nem sabem o que aconteceu aqui", diz Paulo Pereira, 49 anos, proprietário da Leitaria Académica, um dos estabelecimentos mais antigos do largo, ali desde 1937.

O comerciante considera que se podia ter feito mais para manter a memória de um dos locais-chave da Revolução dos Cravos. "Deveria haver mais indicações ou sinalização sobre o que aconteceu aqui", sugere. Rogério Soares, 58 anos, funcionário do restaurante Mar ao Carmo, concorda. "A revolução acabou aqui, mas muitos não o sabem. Às vezes ouço os motoristas dos tuk-tuk, que trazem cá turistas, a dizerem que começou aqui... Como é possível?", questiona-se indignado, enquanto observa o Quartel do Carmo onde Marcelo Caetano, último chefe do Estado Novo, se refugiou até se render a entregar o poder a António de Spínola, após o triunfo do Movimento das Forças Armadas.

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