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Logística das presidenciais vai exigir mais 14 mil pessoas

Logística das presidenciais vai exigir mais 14 mil pessoas

O secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Antero Luís, revelou esta sexta-feira, no Parlamento, que o desdobramento das assembleias de voto com mais de 1000 pessoas em várias secções de voto - como propõem PS e PSD - irá exigir que a realização das eleições presidenciais de janeiro seja garantida por quase mais 14 mil pessoas do que o normal.

O governante anunciou que a eventual aprovação dos projetos de lei dos dois maiores partidos criará mais 2793 mesas de voto a nível nacional, que exigirão um total de 13965 pessoas a garantir o seu funcionamento. Na quinta-feira, o JN já tinha noticiado que a máquina eleitoral destas presidenciais iria ser mais elevada do que em anos anteriores.

Antero Luís considerou que as alterações vão "implicar um reforço de logística substancial", mas afirmou que a situação está "assegurada" do ponto de vista financeiro. A capacidade para garantir os desafios a nível de recursos humanos também existe, garantiu.

PS e PSD defendem "aproximadamente o mesmo sistema" quanto ao aumento das secções de voto, como referiu a deputada social-democrata Emília Cerqueira. Os restantes partidos reconheceram a necessidade de medidas que garantam as normas de segurança sanitária durante o ato eleitoral, tendo o caráter temporário ou definitivo das mesmas sido um dos pontos de maior discórdia.

Tanto socialistas como sociais-democratas pretendem garantir o voto em mobilidade a infetados por covid-19 que estejam em confinamento. Contudo, o PS sublinhou que estas alterações devem ter um caráter excecional, ao passo que o PSD quer medidas definitivas que previnam "qualquer outra pandemia futura", nas palavras do deputado Hugo Carneiro.

BE e PCP alinharam com os socialistas - os primeiros dizendo que a lei para quem está em internamento já é suficientemente abrangente, os segundos por não desejarem um "sistema eleitoral pandémico". Já Antero Luís expressou vontade de que a legislação excecional se mantenha "enquanto durar a pandemia".

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Um "batalhão" junto dos doentes?

A proposta do PSD para garantir o voto de quem está em isolamento profilático - que prevê que o presidente da Câmara respetiva se desloque a um local definido para receber o voto, acompanhado por um técnico da autoridade nacional de saúde e dois elementos das forças de segurança - foi alvo de algumas dúvidas e críticas. Pedro Filipe Soares, do BE, disse mesmo ser "absurdo" enviar um "batalhão de pessoas" para junto dos doentes.

António Filipe, do PCP, sublinhou as dificuldades em saber-se de antemão quantas pessoas vão estar em isolamento na altura das eleições, comparando a proposta social-democrata com a "entrega de pizzas ao domicílio" e alertando que a mesma pode originar um "sistema caótico".

Telmo Correia, do CDS, sublinhou as dificuldades logísticas de os presidentes de câmara irem ao encontro dos doentes infetados por covid-19 nos grandes polos urbanos. Já o PAN mostrou abertura para vir a aprovar as propostas na especialidade.

Para já, todos os projetos de lei sobre este tema foram aprovados na generalidade. O diploma socialista que alarga o voto em mobilidade mereceu as abstenções de PCP, CDS e PEV, ao passo que o que define um regime excecional para doentes por covid-19 em confinamento - também elaborado pelo PS - apenas recebeu a abstenção democrata-cristã. O diploma do PSD teve os votos contra de PCP e PEV e a abstenção do CDS.

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