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Louçã diz que portugueses poderão não ter subsídio de Natal durante 12 anos

Louçã diz que portugueses poderão não ter subsídio de Natal durante 12 anos

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, voltou a defender a renegociação e a redução dos juros da dívida, como a "única forma sensata" de Portugal conseguir pagar e relançar a produtividade nacional.

"Portugal precisa de renegociar, é a atitude sensata. É uma posição que defendemos há muito tempo", disse o líder do BE, Sábado à noite, durante o seu discurso em Monte Gordo, no Algarve, num comício que apelidou de "sessões de rua para prestar contas".

Perante centenas de pessoas, Louçã centrou a sua intervenção na entrevista do Presidente da República ao semanário Expresso, e criticou as medidas anunciadas pelo Governo para combater a crise financeira, nomeadamente o aumento de impostos e a redução do subsídio de Natal.

Para o líder bloquista, o Presidente da República "acaba por dar razão" ao Bloco de Esquerda, quando defende a redução das taxas de juro da dívida portuguesa.

"Acha o presidente que a decisão europeia de baixar o juro é vantajoso, e tem toda a razão", destacou Louça, acrescentando que Cavaco Silva "há um tempo atrás dizia que não se podia fazer nada".

"Afinal Cavaco Silva reconhece que tínhamos razão", sustentou.

O líder do Bloco de Esquerda criticou também o Governo pelas medidas "punitivas que impõe aos portugueses para a compensar a dívida", destacando que o corte no subsídio de Natal "é para alimentar juros".

Francisco Louçã sustenta as críticas com o Orçamento Retificativo que será discutido no início de Agosto, o qual se destina "a assegurar dinheiro fresco para o sistema financeiro".

"São 12 mil milhões de euros que comprometem durante 12 anos seguidos todos os subsídios de Natal dos trabalhadores", disse Louçã, acrescentando que Portugal "poderá ficar refém" do sistema financeiro até 2046, caso seja accionada "outra rubrica de 35 mil milhões de euros".

"O sistema financeiro obriga a pagar juros que Portugal não pode pagar", sublinhou o líder bloquista.

Para Louçã, o agravamento do endividamento e as medidas anunciadas pelo Governo "levam a que daqui a dois anos tenhamos perto de um milhão de desempregados, e que os jovens sejam obrigados a imigrar".

Francisco Louçã terminou a sua intervenção, apelando à "luta pela responsabilidade pela criação de emprego, e por uma economia mais justa e transparente".

No comício do BE, realizado frente ao Casino de Monte Gordo, participaram também a deputada Cecília Honório e o ex-líder parlamentar José Manuel Pureza.

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