Liderança PSD

Luís Montenegro promete: "Comigo não haverá acordos com o PS"

Luís Montenegro promete: "Comigo não haverá acordos com o PS"

Luís Montenegro garantiu esta sexta-feira à noite que, com ele na liderança do PSD, "não haverá acordos com PS" nem negociações dos orçamentos. Prometeu deste modo que o "PSD terá vida própria" criticando Rui Rio por estar sempre "à espera" de fazer entendimentos com os socialistas. Disse ainda que só "uma situação muito grave" no partido levaria Cavaco Silva a quebrar silêncio.

"Comigo não haverá nenhum acordo com o PS", repetiu aos jornalistas no arranque de um jantar em Espinho, que assinalou os 10 anos de chegada do PSD ao poder no concelho, reunindo cerca de 600 pessoas. Montenegro elegeu ainda como primeiro grande objetivo do partido ganhar as eleições autárquicas.

Além disso, ao elencar as diferenças entre si e Rui Rio, que, segundo fontes próximas, ponderava esta sexta-feira uma candidatura, Luís Montenegro acusou o atual líder de não ter conseguido unir o partido. E prometeu, da sua parte, ser um "agregador" mesmo daqueles que não se revejam na sua candidatura.

Questionado sobre aquilo em que é melhor, respondeu aos jornalistas que nesta corrida interna há "sobretudo duas grandes diferenças" relativamente à candidatura de Rio que aguarda "que venha a tornar-se realidade". "Em primeiro lugar", diz protagonizar "uma candidatura de unidade". Apesar de esperar um "combate vivo" entre todos que decidam avançar, diz ter a certeza que, uma vez eleito, terá "capacidade para poder congregar" todas as vozes "independentemente de estarem mais próximas ou mais distantes" do seu pensamento.

"Em segundo lugar, tenho uma estratégia completamente diferente" porque "Rui Rio e o PSD nos últimos dois anos têm andado permanentemente à espera do PS", prosseguiu.

A atual liderança esteve "ora à espera da disponibilidade do PS para fazer acordos estruturais, ora à espera de fazer acordos pontuais como foi o caso da descentralização e dos fundos europeus, que não tiveram grande sequência. E penso que está na altura de o PSD ter vida própria", defendeu o ex-líder parlamentar.

"Comigo não há esta predisposição do PSD para estar à espera de um PS que não quer fazer reformas estruturais", atacou ainda Montenegro. Do mesmo modo, não estará "minimamente disponível para negociar orçamentos com o PS".

O deputado Hugo Soares escusou-se a confirmar se apoiará a candidatura de Luís Montenegro à liderança do partido, mas admitiu que "não será segredo para ninguém" se o virem ao lado do antigo líder parlamentar.

"Sobre esse tema falaremos oportunamente, mas creio que não será segredo para ninguém se eu estiver ao lado do dr. Luís Montenegro", disse Hugo Soares, que também foi líder parlamentar do PSD.

A reação de Cavaco Silva à crise no PSD

"Só uma situação muito grave e muito importante para o futuro do PSD poderia ter obrigado o professor Aníbal Cavaco Silva, que foi 10 anos primeiro-ministro e 10 anos Presidente da República - e não é propriamente uma personalidade que tenha intervenção partidária - a tomar a posição que tomou. Respeito muito e concordo com o que ele disse", afirmou Luís Montenegro.

O candidato assumido à liderança do PSD comentou ainda o possível regresso de Maria Luís Albuquerque ao partido. "O professor Cavaco Silva disse que era preciso chamar ao partido várias pessoas que tinham sido afastadas ou que se tinham afastado da vida partidária. Estou de acordo com ele. (...) Também acho que a doutora Maria Luís Albuquerque faz muita falta ao combate político do PSD", referiu.