GOL

Maçons ignoram aviso de alto dirigente e reúnem-se em salas virtuais

Maçons ignoram aviso de alto dirigente e reúnem-se em salas virtuais

Lojas maçónicas do GOL estão fechadas por causa da pandemia e começaram a ter reuniões nas plataformas informáticas que também são usadas por professores e alunos.

Quando a pandemia de covid-19 suspendeu as reuniões nas lojas do Grande Oriente Lusitano (GOL), o grande secretário da organização tentou proibir as reuniões virtuais, por recear a pirataria informática, que começavam a ter lugar. Mas a ordem não teve o efeito esperado, na maior obediência maçónica portuguesa. "Irmãos" de lojas de todo o país vêm-se reunindo em plataformas informáticas como as que são usadas por professores e, neste sábado à tarde, também é em ambiente digital que vão poder assistir à segunda sessão do congresso do GOL, um evento que já não acontecia há seis anos.

O grande-secretário do GOL até responde pelo nome de código de um revolucionário, o histórico maçon cubano José Martí, mas foi a voz da reação contra a novidade. Perante a notícia de que havia lojas a reunirem-se através de programas informáticos como o Zoom, o Microsoft Teams e o Skype, avisou que os encontros virtuais de "obreiros de uma oficina" deveriam reduzir-se ao estrito âmbito das relações fraternas e de amizade.

A oposição àquele ímpeto de modernidade, numa organização tão vetusta e ciosa do secretismo como o GOL, prende-se em grande medida com o receio de as reuniões de maçons virem parar à praça pública, por ação de piratas informáticos ou até de participantes. As plataformas informáticas em que decorrem as sessões permitem gravá-las.

Nem tudo se discute online

Contudo, a posição conservadora de "José Martí" não se impôs. Pesou mais, no outro prato da balança, o risco de afastamento dos maçons, perante a eventual necessidade de as lojas continuarem fechadas por muito tempo (já lá vão três meses), para evitar a proximidade física associada às reuniões presenciais e até a rituais maçónicos aqui praticados.

"Temos várias formas de nos mantermos juntos, nomeadamente as novas tecnologias", comenta um maçon, que regozija por as reuniões virtuais estarem "mais ou menos generalizadas" e observa que algumas até atraem mais maçons do que atraíam as reuniões presenciais. No entanto, não deixa de enfatizar a necessidade de precauções: "É preciso alguma reserva, há situações que não são para discutir nestas reuniões", afirma, ao JN.

De resto, o GOL parece ter-se conformado, ao mais alto nível, com a mudança. Já foi pela Net que se realizou uma primeira sessão do congresso maçónico, evento de grande importância para o GOL que não se realiza sem o aval do grão-mestre, e a segunda está agendada para este sábado à tarde.

Eleições adiadas

As eleições do GOL estiveram agendadas para este sábado, 6 de junho, mas tiveram de ser desmarcadas, por causa do novo coronavírus, e ainda não há uma nova data. O prazo de apresentação dos candidatos à sucessão de Fernando Lima como grão-mestre terminava em 27 de abril. E a esse momento sucederia uma campanha eleitoral, com passagem dos candidatos pelas lojas do país, que seria inviabilizada pelas restrições de movimentos e de proximidade física impostas pelas autoridades políticas e sanitárias durante os estados de emergência e de calamidade.

Antes da pandemia, já se tinham assumido como candidatos Daniel Madeira de Castro, um repetente, e Fernando Cabecinha, grão-mestre-adjunto num mandato anterior de Fernando Lima e militante do PSD. Embora não tivesse chegado a assumir-se, Carlos Vasconcelos, grão-mestre-adjunto de Lima e também próximo do PSD, era outro nome apontado à corrida.

Outras Notícias