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MAI abre inquérito ao incêndio da Lousã onde morreu bombeiro

MAI abre inquérito ao incêndio da Lousã onde morreu bombeiro

O Ministério da Administração Interna abriu um inquérito ao incêndio da Lousã que, no sábado, provocou a morte a um bombeiro. A Câmara de Miranda do Corvo, onde a vítima trabalhava, decretou três dias de luto municipal. O site da Proteção Civil continua com problemas.

O gabinete do Ministério da Administração Interna (MAI) confirmou, este domingo, ao JN, a abertura de um inquérito às circunstâncias da morte de um bombeiro dos Voluntários de Miranda do Corvo durante o combate ao incêndio de sábado na Serra da Lousã. Citando um oficial dos Bombeiros da Lousã, o jornal "Expresso" deu ontem conta de que houve um desfasamento "entre a guarnição da equipa [a primeira mobilizada para o terreno, da corporação de Miranda do Corvo], que deveria ter cinco homens e só tinha quatro". O semanário adiantou ainda que a equipa "começou a pedir socorro" às 19.19 horas e que as comunicações eram "pouco percetíveis", embora permitissem entender "o desespero". Terão esperado 20 minutos por auxílio, acrescenta a publicação.

A morte de José Augusto, 55 anos, chefe da corporação, foi a primeira registada em operações de combate a incêndios este ano. O também motorista da Câmara e árbitro de futsal nos tempos livres fazia parte de um grupo de quatro bombeiros que, no sábado à tarde, foi cercado pelas chamas. Além do óbito a registar, outros três bombeiros ficaram feridos - dois da corporação de municipais da Lousã e outro dos voluntários de Miranda do Corvo -- mas já tiveram alta hoje de manhã.

Trovoada seca terá causado fogo, ANEPC aguarda resultados do inquérito

O Comandante Nacional das Operações de Socorro da ANEPC, José Manuel Duarte da Costa, disse, este domingo, em conferência de imprensa, que o incêndio, cujo alerta foi dado às 18.26 horas, foi provocado por uma trovoada seca e que foram logo destacados meios. Lamentando a morte do "soldado da paz" em serviço, admitiu que tenha sido uma mudança de vento a cercar os operacionais e não comentou sobre o tempo de espera da equipa de Miranda do Corvo, dizendo apenas que irá aguardar o resultado do inquérito da ANEPC para que se "possam tirar conclusões" e se "evitem situações destas".

Todo o país está sob alerta especial amarelo por risco de incêndio até à meia-noite de hoje, sendo que, a partir dessa hora, o alerta vigorará apenas para os distritos de Beja, Castelo Branco, Évora, Faro, Guarda, Portalegre e Santarém, adiantou Duarte da Costa. O resto do território passará a alerta azul, mas o plano "poderá ser alterado a qualquer momento" por causa da previsão de aumento de temperatura para os próximos dias.

Três dias de luto

O presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo, Miguel Baptista, decretou este domingo "três dias de luto municipal em memória e reconhecimento de José Augusto Dias Fernandes (...) tragicamente falecido no cumprimento da nobre missão de defesa da comunidade", informou a autarquia, dando conta de que o luto será cumprido hoje, amanhã e na terça-feira. A Câmara apresenta aos familiares, amigos e "a toda a família dos Bombeiros Voluntários e da Câmara Municipal" de Miranda do Corvo "as mais sentidas condolências neste momento de dor partilhado por todos os mirandenses", acrescenta o comunicado.

A informação sobre as ocorrências da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) encontra-se desde terça-feira "temporariamente indisponível" no site do organismo devido a problemas técnicos, informou a ANEPC numa pequena nota publicada na quarta-feira, em que garante estar a "resolver a situação". Este domingo, o cenário mantém-se, mas a falha na partilha de informação não não tem qualquer impacto na atividade operacional, assegurou hoje o comandante José Manuel Costa. Enquanto o problema não é resolvido, a ANEPC está a dar conta das ocorrências (em curso, em resolução e em conclusão) a nível nacional e dos incêndios rurais a nível distrital. No ponto de situação feito às 10 horas, não havia a registar incêndios rurais significativos.

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