Sondagem

Maioria (61%) acredita haver empresas que se aproveitam da crise

Maioria (61%) acredita haver empresas que se aproveitam da crise

Despedimentos deviam ser proibidos quando estamos em estado de emergência (63%), mas não se justifica promover manifestações durante este 1.º de Maio (82%).

Depois de um mês em que se sucederam os despedimentos e um recurso massivo ao lay-off, quase dois terços dos portugueses (61%) desconfiam das verdadeiras intenções das empresas. Ao contrário, a atuação dos sindicatos durante esta crise merece avaliação positiva (com um saldo de 28 pontos percentuais), ainda que haja uma decisão que causa enorme desagrado: 82% discorda que haja manifestações do 1.º de Maio, como as que a CGTP promove esta sexta-feira em 25 cidades.

Os resultados do barómetro da Pitagórica para o JN e a TSF são bastante claros: de acordo com 61% dos inquiridos há muitas empresas que estão a aproveitar-se da crise para fechar, despedir ou obrigar os trabalhadores a irem para lay-off (o que implica uma redução parcial dos salários). Talvez por isso, são ainda mais (63%) os que defendem que o Estado devia proibir os despedimentos durante o período de estado de emergência (termina este sábado, seguindo-se o estado de calamidade).

Neste mês de abril já são 42% os portugueses que dão conta de um corte no rendimento das suas famílias. Sendo que este é um dos casos em que vale a pena destacar que uma sondagem é um retrato do momento em que é feita: esta decorreu entre 16 e 25 de abril e, já depois destas datas, é público, somaram-se mais uns milhares de empresas ao lay-off.

IMPACTO ESTÁ SER MENOR EM LISBOA

Outro facto a ter em conta é a idade: se considerarmos apenas os portugueses entre 18 e 65 anos, a quebra de rendimentos na verdade foi sentida por mais de metade das famílias. Uma proporção que se reduz substancialmente entre quem tem 65 ou mais anos, faixa etária que inclui a maioria dos pensionistas (apenas 19% admite uma quebra de rendimento familiar). Quando a análise incide sobre a geografia, sobressai um outro dado: o impacto da quebra de rendimentos foi menor em Lisboa (37%) do que no resto do país, porventura pelo maior peso regional da Função Pública, que não sofreu qualquer corte salarial.

Aos cortes já em vigor, outros se poderão somar. Mas, neste caso, é um futuro sombrio que só preocupava 22% dos inquiridos (71% acredita que o rendimento familiar já não sofrerá alterações), em particular a faixa etária dos 35/44 anos (33%) e os que estão no penúltimo escalão de rendimento (25%). Ao contrário, os menos pessimistas são os que vivem nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa.

A explicação mais frequente para a quebra de rendimentos dos agregados familiares remete para a perdas de trabalho, de vendas ou de produção (26%), com particular incidência entre os que têm 45 a 54 anos (39%). Já o lay-off é o motivo para 21% estarem mais pobres (com o Norte, a região mais industrial, a destacar-se com 28%, relativamente ao resto do país). Segue-se a necessidade de estar em casa para apoio à família (11%), em especial para os que têm 35 a 44 anos (23%). E, finalmente, o desemprego (9%), flagelo que afetou em particular os que têm 18/24 anos (16%) e 45/54 anos (15%), bem como os que estão no penúltimo escalão de rendimentos, e portanto em situação económica mais frágil (13%).

MULHERES DÃO MAIS VALOR A SINDICATOS

A propósito do 1º de maio, que hoje celebramos, o JN quis saber que importância atribuem os portugueses aos sindicatos na definição das condições de vida dos trabalhadores. O resultado é favorável à ação dos sindicatos, ainda que por escassa margem: 27% assegura que têm muito ou toda a importância, contra 25%, que lhes atribui pouca ou nenhuma (43% dos inquiridos refugiam-se no meio da escala, atribuindo-lhes alguma importância).

Analisando os resultados por segmentos, verifica-se que há uma divisão de género: as mulheres dão mais importância (28%) aos sindicatos; há mais homens que desvalorizam o seu papel (32%). No que diz respeito às faixas etárias em que se divide a amostra, são os mais jovens (18/24 anos) que fazem pender a balança a favor dos sindicatos. Quando a análise se centra no escalão de rendimentos, surge um aparente paradoxo: o saldo só é claramente positivo para os sindicatos entre os que ganham mais. Finalmente, no que diz respeito à geografia, a região de Lisboa é a claramente a mais hostil (30% desvalorizam), enquanto o Norte se destaca pela positiva (29%).

12%

As manifestações do 1º de maio, no contexto atual, recebem um apoio residual. A tolerância é um pouco maior a Norte (15%).

30%

Os eleitores do PS são mais favoráveis aos sindicatos do que os eleitores do PSD (34% dos sociais-democratas entende que não são importantes).

38%

Apenas 38% dos inquiridos acredita na probabilidade de alguém da sua família ficar doente. Em março passado eram 51% os que respondiam desta forma.

53%

António Costa é a personalidade mais valorizada no combate à Covid-19, com um saldo positivo de 53 pontos (mais 35 que em março).

47%

Marcelo Rebelo de Sousa subiu mais um ponto que o primeiro-ministro, mas continua mais atrás, agora com um saldo de 47 pontos.

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