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Maioria acredita que Governo dura até 2023 e consegue passar Orçamento

Maioria acredita que Governo dura até 2023 e consegue passar Orçamento

PS deve negociar à Esquerda (46%), com prioridade à inclusão de bloquistas e comunistas em simultâneo (30%). Um quinto dos socialistas prefere o PSD.

A grande maioria dos portugueses está convencida que o Governo de António Costa vai durar até ao fim da legislatura (84%). Estão também em maioria, ainda que muito menos expressiva, os que acreditam na capacidade dos socialistas aprovarem o próximo Orçamento de Estado (52%). Conclusões de uma sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF, que também mediu o impacto do braço de ferro constitucional entre Belém e S. Bento, a propósito do alargamento dos apoios sociais em contexto de pandemia: a razão está do lado de Marcelo (50%).

O país é sacudido, de quando em vez, com o fantasma de uma crise política. Seja a ameaça real ou ilusória, o próprio presidente da República lhe acrescenta visibilidade. Como em fevereiro passado, quando o combate à pandemia dava sinais de descontrolo: "Não se conte comigo para dar o mínimo eco a cenários de crises políticas ou eleitorais", disse Marcelo. A julgar pelo barómetro de abril da Aximage, a opinião pública não acompanha as previsões da opinião publicada: quase nove em cada dez inquiridos apostam que a legislatura esgotará o seu tempo de vida (2023).

Benefício para três

Se mesmo assim vier uma crise e for preciso antecipar eleições, não é claro quem poderia beneficiar. As opiniões dividem-se entre as vantagens para o Chega de André Ventura (21%), o PS de António Costa (24%) e o PSD de Rui Rio (28%). Os próprios eleitores socialistas distribuem-se de forma igual entre o seu partido e o principal rival. Mais assertivos, só os radicais e os liberais de Direita: apontam maioritariamente para o Chega como um vencedor de hipotéticas crises.

Mais palpável é o desafio que o Governo minoritário terá de enfrentar já a partir do verão: negociar o Orçamento do Estado para 2022. Um pouco mais de metade (52%) acredita que os socialistas terão condições para levar o processo a bom porto (um quarto acha que não, outro quarto não tem opinião). Onde essa crença é maior é no eleitorado à Esquerda, incluindo comunistas e bloquistas, os parceiros habituais dos orçamentos de António Costa.

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Negociação tripartida

É aliás à Esquerda que os socialistas devem continuar a negociar o Orçamento, de acordo com os resultados da sondagem. Ao todo, 46% dos inquiridos apontam para pelo menos uma das hipóteses que incluem os parceiros da extinta geringonça. E a situação favorita é mesmo a de uma negociação tripartida com bloquistas e comunistas (30%), registando-se adesões mais modestas a entendimentos isolados com o BE (10%) ou com o PCP (6%).

Uma negociação a três é precisamente a que recebe mais apoio entre os eleitores dos três partidos de Esquerda (embora com menor entusiasmo entre os socialistas), mas não só. Entre os que votam nos três maiores partidos à Direita (PSD, Chega e Iniciativa Liberal), cerca de um terço aponta também para essa solução como a mais natural.

Vale a pena notar, no entanto, que um em cada cinco eleitores aponta para uma negociação ao estilo Bloco Central com o PSD. É aliás a hipótese mais citada pelos eleitores sociais-democratas e pelos que escolhem o PAN. Significativo é também que um em cada cinco eleitores socialistas prefira igualmente esta abordagem mais centrista, fugindo a soluções com os parceiros à Esquerda.

61%

Quase dois terços dos inquiridos leram ou ouviram falar da polémica política e constitucional entre presidente da República e primeiro-ministro a propósito do alargamento dos apoios sociais da pandemia.

Marcelo é quem tem razão

Entre os que se interessaram pelo tema, 50% considera que a razão está do lado de Marcelo (dois terços no caso dos eleitores mais à Direita). A posição de Costa, que recorreu à fiscalização do Tribunal Constitucional, só é maioritária entre os socialistas.

31%

Foi o presidente quem ficou a ganhar politicamente com o braço de ferro, ainda que a margem seja escassa (31%). O primeiro-ministro e o PS têm pouco a ganhar com o caso (21%). O terceiro vértice deste triângulo, os partidos da Oposição que se uniram em "coligação negativa" no Parlamento, só ficaram a ganhar para 14%.

Divisão sobre o impacto

No que diz respeito ao impacto que o enfrentamento pode ter nas relações entre Marcelo e Costa, as opiniões dividem-se praticamente a meio: 43% defendem que terá algum impacto (grande ou médio); 44% que o impacto será pequeno ou nulo. Os eleitores do Chega, PSD, PS e PAN são os que mais acreditam em consequências; os que votam nos liberais, comunistas e bloquistas desvalorizam o confronto.

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