Maternidade

Maioria das 84 mães infetadas com covid-19 não tinha sintomas

Maioria das 84 mães infetadas com covid-19 não tinha sintomas

Hospitais do SNS ajudaram a nascer 85 bebés de grávidas doentes e testes aos recém-nascidos foram negativos. Pedro Hispano e São João com mais casos.

Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde já fizeram o parto de, pelo menos, 84 mulheres com covid-19 e a maioria só descobriu que estava infetada após o rastreio. Os bebés (85 recém-nascidos registados até ao dia 7 de maio) são testados após o nascimento e todos deram negativo. O Hospital de Pedro Hispano, em Matosinhos, ajudou a nascer Carlos e Francisca. É o único caso de gémeos nascidos de uma mãe com covid-19 em Portugal.

Aquela unidade contabiliza o maior número de partos de mães infetadas pelo coronavírus: 13 mães de 14 bebés e está a acompanhar mais duas grávidas. Dos 25 hospitais que prestaram informação ao JN, destacam-se o Hospital de S. João, no Porto, com 11 parturientes e 12 grávidas em tratamento, e os hospitais de Braga e de Guimarães (cada um fez o parto de seis mães infetadas). O Centro Materno Infantil do Norte assistiu quatro puérperas e acompanha quatro grávidas com covid. No Sul, no final de abril, registavam-se poucos casos de mães infetadas. A Maternidade Dr. Alfredo da Costa, no Centro Hospitalar de Lisboa Central, tratou três parturientes e dá assistência a quatro grávidas infetadas.

"A proporção de grávidas sintomáticas é muito baixa" e, ao contrário do que sucedeu com a gripe A, "não parecem ter risco aumentado de complicação nem de infeção", explica a infecciologista Margarida Tavares, do Hospital de S. João. Foi a única unidade a reportar três casos de grávidas com sintomas respiratórios graves e de uma mãe que precisou de cuidados intensivos, após o parto.

Berço a dois metros

A generalidade das unidades testa as grávidas, sobretudo na reta final da gestação. E, entre aquelas que tiveram a amarga notícia de estarem infetadas, boa parte está assintomática. Outras têm sintomas ligeiros. Por precaução, a maioria opta por separar os recém-nascidos das mães. Porém, há unidades, como os hospitais de Guimarães e os centros hospitalares do Oeste e de Lisboa Norte e Médio Tejo, que confiam a decisão às mães.

A norma, publicada esta terça-feira pela Direção-Geral de Saúde, sobre os cuidados aos recém-nascidos mantém a prática de isolamento, mas admite o alojamento conjunto de mãe e filho, assim como a amamentação (anteriormente defendia o descarte do leite materno) e o contacto pele a pele.

Dada a "importância da não separação da mãe-filho", o Hospital de Guimarães possibilita o alojamento conjunto com o berço a ser colocado a dois metros da cama materna e com o uso da máscara facial pela mãe. Uma prática que será adotada em Matosinhos, onde já se oferece o leite materno aos bebés. "Até agora, o leite era extraído e dado pelo biberão", explica Pinheiro Torres, diretor do serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Pedro Hispano, que ambiciona retomar as boas práticas daquela unidade, suspensas pela pandemia.

Além do acompanhamento permanente pelo pai no parto e no puerpério, também fará regressar o berço do bebé ao quarto das mães infetadas. "O berço ficará a dois metros da cama. A mãe usa máscara e terá de desinfetar a mama, antes de amamentar". O isolamento do bebé da mãe infetada tem sido a norma, mas é tempo de mudar, entende. "Não há um grande risco de contágio e estamos a tentar abrir para não roubar os pequenos prazeres de uma mãe que tem o seu filho na nossa unidade".

Ajuda de familiares

Poucos recém-nascidos permanecem internados, depois de ter sido dada alta à mãe infetada. Ela regressa a casa, ainda doente, e fica isolada até estar curada. Os hospitais têm procurado encontrar um familiar saudável com disponibilidade para ajudar a cuidar do bebé, enquanto a mãe recupera. Uma prática que a DGS recomenda na norma publicada esta quarta-feira. Se for uma tarefa difícil, se não houver retaguarda familiar ou por opção dos pais, os bebés podem ficar no hospital.

Práticas distintas

Os centros hospitalares do Médio Ave e do Médio Tejo têm normas distintas da maioria sobre o isolamento. No Médio Ave, só há separação de mães infetadas e com sintomas. No Médio Tejo, os bebés com teste negativo são entregues às mães, que usam máscara.

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