Mobilidade

Maioria das pessoas em Gaia e Espinho usa transporte individual e não sai do concelho

Maioria das pessoas em Gaia e Espinho usa transporte individual e não sai do concelho

A maioria das pessoas em Gaia e Espinho, concelhos agregados no concurso público de autocarros da Área Metropolitana do Porto (AMP), utiliza transporte individual e não sai do seu município, segundo um documento de caracterização do sistema de transporte.

Segundo o documento, consultado pela Lusa, das cerca das 174 mil viagens pendulares em Vila Nova de Gaia (distrito do Porto), ou seja, "deslocações de uma pessoa entre dois pontos do espaço geográfico", normalmente residência e trabalho ou escola, 67% são municipais, 29% são intermunicipais e 4% são viagens interregionais.

Em Gaia o mais frequente é o transporte individual (64%), seguindo-se o público (20%, sendo 14% rodoviários e 6% ferroviários), as deslocações a pé (14%) e o transporte coletivo da empresa ou escola (2%).

Já em Espinho (distrito de Aveiro), das cerca das 16 mil viagens pendulares, 59% são municipais, 31% são intermunicipais e 10% são viagens interregionais, e o tipo de transporte utilizado mais frequente é o individual (58%), seguindo-se as deslocações a pé (26%), o transporte público (14%, sendo 8% ferroviário e 6% rodoviário), e o transporte coletivo da empresa ou escola (2%).

Os dados constam de uma versão provisória da "Caracterização do Sistema de Transportes em Cada Município" da AMP, feita no âmbito do concurso público para o transporte público rodoviário na região, lançado em janeiro de 2020, e que por esse motivo incluem dados dos Censos de 2011.

Vila Nova de Gaia e Espinho estão integrados no lote Sul Poente do concurso público de transporte rodoviário para a AMP, que, segundo o JN, foi ganho pela Bus On Tour, empresa que, de acordo com a documentação consultada pela Lusa, concorreu associada à Auto Viação Feirense, tendo ambas um responsável em comum.

A Bus On Tour propôs um preço de 1,10 euros por quilómetro e uma frota de 10 veículos elétricos, 40 veículos com classe de emissões Euro VI e 100 veículos Euro V, segundo os documentos consultados pela Lusa.

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Depois de um impasse nos tribunais, o concurso está agora em condições de ser adjudicado, sendo que para Vila Nova de Gaia estão previstas 81 linhas de autocarro e para Espinho 10.

No município gaiense, em transporte público 52% das viagens são municipais, 44% são entre municípios da AMP e 4% são interregionais (para fora da AMP), algo que contrasta com o concelho vizinho a sul, em que a maioria das viagens são para fora do município (50% intermunicipais [na AMP] e 15% interregionais), e 35% são dentro do concelho de Espinho.

Na dinâmica interconcelhia, em Gaia, de todos os movimentos para fora do território, 65% têm como destino o Porto, ao passo que em Espinho 26% dos movimentos para fora têm como destino Vila Nova de Gaia, seguindo-se Santa Maria da Feira (22%) e Porto (21%).

Entram em Vila Nova de Gaia cerca de 22,3 mil pessoas vindas de outros municípios da AMP, "dos quais 21% são do Porto, 20% de Santa Maria da Feira e 18% de Gondomar", e em Espinho as entradas "são maioritariamente provenientes de Gaia (39%) e da Feira (33%)", pode também ler-se no documento, que acrescenta que em Espinho "19% das entradas e 39% das saídas são de e para outros concelhos fora da AMP".

Dentro de Gaia, Santa Marinha, Mafamude e Oliveira do Douro são os territórios "principais geradores de viagens" em transporte público, aproximadamente 35%, ao passo que o peso do transporte individual "é próximo dos 85% nas viagens geradas em Arcozelo, Gulpilhares, Grijó e São Félix da Marinha".

Em Espinho, o peso dos transportes públicos "é de aproximadamente 25% em Guetim e Paramos", mas "por outro lado na Anta é apenas 15%".

O concurso público para operadores privados de autocarros da AMP acaba com um modelo de concessões linha a linha herdado de 1948 e abrange uma nova rede uniformizada de 439 linhas, incluindo bilhete Andante, com a frota de autocarros a dever apresentar "uma imagem comum em todo o território" da AMP.

No entanto, o presidente do Conselho Metropolitano do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues, já adiantou que nalguns lotes que foram a concurso (num total de cinco) "há uma possibilidade de revisão da rede até 10%".

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