Dependência

Maioria dos alunos que jogam a dinheiro faz apostas desportivas

Maioria dos alunos que jogam a dinheiro faz apostas desportivas

Apesar de não ser um dos comportamentos aditivos com "maior expressão" entre os jovens entre os 13 e os 18 anos, a frequentar o ensino público, o jogo a dinheiro manteve-se "relevante" entre os estudantes ao longo de 12 meses (13%) no ano de 2019. De acordo com um relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), publicado esta quinta-feira, mais de dois terços dos jogadores recentes a dinheiro faz apostas desportivas (66,4%) e há também quem jogue em lotarias (48,1%).

"O jogo a dinheiro não é dos comportamentos potencialmente aditivos mais prevalentes, registando valores muito longe dos relativos ao consumo de álcool e de tabaco", lê-se no documento do SICAD. No entanto, o serviço foca-se na minoria dos jovens entre os 13 e os 18 anos, a frequentar o ensino público, que "de uma forma ou outra", jogaram frequentemente a dinheiro. Os alunos mais velhos (18 anos) jogaram três vezes mais do que os com idades entre os 13 e os 15 anos.

No total de inquiridos (26 319), são cerca de 13% os jogadores a dinheiro. Os rapazes jogam mais do que as raparigas, sendo que eles gostam mais das apostas desportivas e elas preferem as lotarias. Os dois tipos de jogos são aqueles que, na globalidade, os jovens mais preferem.

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Mais de metade dos jogadores recentes a dinheiro faz apostas desportivas (66,4%) e compra lotarias (48,1%), como as raspadinhas ou o Euromilhões. Por outro lado, as "slot machines" (máquinas de jogo) e os jogos de cartas e dados são minoritários entre os alunos, cerca 15% e 26%, respetivamente.

A maioria dos que jogam a dinheiro fá-lo de forma "offline", ou seja, sem necessitar de uma ligação à Internet. Quanto à periodicidade, os jovens jogam uma vez por mês, excetuando apenas os que fazem apostas desportivas (geralmente uma vez por semana).

O relatório do SICAD concluiu que a prevalência do jogo a dinheiro "pouco varia em função do rendimento escolar declarado pelo aluno". Mas, os adolescentes com uma dimensão problemática em relação ao jogo são aqueles que têm menor rendimento escolar. Os que registaram melhor aproveitamento escolar foram aqueles que menos jogaram a dinheiro nos últimos 12 meses.

"Sinais preocupantes"

A discrepância entre os jovens que conseguem facilmente obter dinheiro dos pais (17,5%), através de recompensas monetárias ou prendas, e os que não o conseguem (10%), é acentuada no que toca à prevalência do jogo a dinheiro. A diferença entre ambos os grupos é de cerca de oito pontos percentuais. No que toca ao apoio e suporte familiar, não há variação face à prevalência do jogo a dinheiro. O mesmo se passa com o apoio dos amigos.

Os jovens que mais praticam "gaming" (jogo eletrónico) são os que geralmente mais jogam a dinheiro. "Os alunos que jogaram jogos eletrónicos no mês anterior à inquirição jogaram recentemente a dinheiro entre duas a três vezes mais do que aqueles que não jogaram videojogos no mesmo período", aponta o SICAD. Foram também os que disseram na amostra que os pais prefeririam que passassem menos tempo em frente aos ecrãs.

Para os especialistas do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, não deixam de existir "alguns sinais preocupantes": a dimensão problemática do jogo a dinheiro "afeta cerca de um em cada quatro jogadores recentes". No mesmo relatório, o SICAD defende que não "há muita informação disponível" sobre a problemática do jogo a dinheiro na população estudantil, sendo que se revela urgente obter mais dados. O objetivo passa por "delinear intervenções e agir de forma sustentada na evidência", concluem.

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